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Brincando com fogo: Joe Biden diz que Vladimir Putin é um assassino

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que pensa que Vladimir Putin, da Rússia, é um assassino. Ele fez a declaração durante uma entrevista veiculada pela emissora ABC News nesta quarta-feira (17).


O entrevistador George Stephanopoulos perguntou: “Você conhece Vladimir Putin, você pensa que ele é um assassino?”.


“Eu penso”, respondeu Biden.


Os dois discutiam um relatório dos serviços de inteligência dos EUA que foi divulgado na terça-feira. Nesse texto, os americanos afirmam que Putin supervisionou as tentativas dos russos para manchar a reputação da candidatura de Biden nas eleições presidenciais de 2020 (o atual presidente dos EUA venceu Donald Trump, que concorria à reeleição).


Biden revelou que ele e Putin tiveram uma conversa telefônica em janeiro, e nesse diálogo, o americano avisou o russo que haveria uma resposta.


“Ele vai pagar um preço. Tivemos uma longa conversa. Eu o conheço relativamente bem. Quando a conversa começou, eu disse ‘você me conhece, e eu te conheço; se eu decidir que isso aconteceu, então se prepare'”.


O presidente dos EUA não especificou qual será a natureza da ação americana.


Ele disse que isso não implica cortar as relações com os russos, e deu como exemplo a tentativa dos dois países de prolongar um acordo sobre armas. Ao falar sobre essa possibilidade de seguir negociando com a Rússia, mas ao mesmo tempo retaliar os russos pela atuação em campanhas eleitorais nos EUA, Biden usou uma metáfora: “Dá para andar e mascar chiclete ao mesmo tempo”.


Aos imigrantes: não venham

Biden também pediu aos imigrantes que não tentem entrar no país: “Eu posso dizer claramente: não venham. Não deixem suas cidades ou comunidades”.


A declaração ocorre no momento em que crescem as críticas ao governo pelo aumento na chegada de pessoas na fronteira com o México, incluindo milhares de menores de idade que viajam desacompanhados.


Em fevereiro, cerca de 100 mil pessoas foram detidas na fronteira sul (incluindo 9.457 menores de idade não acompanhados), uma alta de 28% em relação a janeiro.


Na segunda-feira (15), oito imigrantes morreram em um acidente no sudoeste do Texas, na fronteira. As vítimas estavam em uma caminhonete que estava sendo perseguida pela polícia e colidiu de frente com outra picape perto de Del Rio, segundo autoridades.


No começo do mês, outros 13 imigrantes morreram em um acidente entre uma SUV e um caminhão no sul da Califórnia. O veículo havia atravessado um buraco na cerca da fronteira, levava 25 pessoas e não era perseguido no momento da colisão.


O presidente americano rejeitou que sua decisão de acabar com a política de tolerância zero do seu antecessor, Donald Trump, causou pressão na fronteira e disse que houve aumentos semelhantes em 2019 e 2020.


O democrata tem revertido muitas das mudanças implementadas por Trump e quer que o Congresso aprove uma ampla reforma migratória para abrir o caminho da cidadania para milhões de imigrantes sem documentos.


Os republicanos criticam as medidas do novo governo e dizem que as políticas de Biden resultaram no forte aumento de migrantes que buscam entrar ilegalmente nos país.


Governador de NY

Na entrevista, Biden também foi perguntado sobre o colega de partido e governador de Nova York, Andrew Cuomo, que vem sendo acusado de assédio sexual por diversas mulheres desde fevereiro.


Ao ser questionado se Cuomo deveria renunciar se as acusações de assédio sexual forem confirmadas, o presidente americano afirmou que sim. “Acho que então ele provavelmente também seria processado nos tribunais”.


Oito mulheres já denunciaram comentários e ações inadequadas de Cuomo, incluindo uma ex-funcionária que o acusou de enfiar a mão em sua blusa em 2020.


O democrata de 63 anos que está há dez anos no comando do estado de Nova York, se recusou a ceder aos pedidos de renúncia, diz que as acusações são falsas e pediu para aguardar os resultados das investigações.


Acusações de interferências nas Eleições de 2020


A Casa Branca disse nesta quarta-feira (17) que a Rússia será responsabilizada por interferir nas eleições presidenciais de 2020 nos EUA.


O pronunciamento acontece após a divulgação de um relatório da inteligência dos EUA. O documento sustenta que não viu nenhuma tentativa da Rússia de interferir na infraestrutura do pleito presidencial de 2020, mas alega, no entanto, que Moscou tentou minar a candidatura de Joe Biden frente ao público.


As informações são do Conselho Nacional de Inteligência (NIC, na sigla em inglês) dos EUA, tornado público na terça-feira (16). O documento afirma que organizações do governo russo travaram uma guerra de desinformação contra Joe Biden durante a campanha presidencial. 


A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse hoje (17) que o governo democrata do presidente Joe Biden está adotando uma abordagem diferente para as relações com a Rússia do que o ex-presidente republicano Donald Trump.


"Certamente os russos serão responsabilizados pelas ações que tomaram", disse ela, segundo informações da Reuters.

Os diplomatas da Rússia em Washington sustentam que as acusações são infundadas. Eles destacaram que esta nova acusação dos EUA não contribui para a normalização das relações bilaterais.

Vale lembrar que Estados Unidos acusaram Rússia em 2016 de intervenção nas eleições presidenciais, o que Moscou negou. Baseando-se em um relatório não confirmado sobre os laços entre Trump e a Rússia, as agências de inteligência norte-americanas vigiaram os funcionários de campanha de Trump.


Posteriormente, o "caso russo" foi investigado pelo procurador Robert Mueller, que não encontrou provas de uma "conspiração de Trump com a Rússia".

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