Variante com "dez mutações a mais" é identificada em viajantes da Tanzânia, na África




Uma variante com o maior número de mutações do coronavírus identificado até agora foi encontrada em viajantes da Tanzânia, o que leva cientistas a pedirem maior monitoramento em um país que tem ignorado medidas de combate à pandemia.

Um relatório enviado à Organização Mundial da Saúde e órgãos regionais mostra que a cepa tem dez mutações a mais do que qualquer outra versão, segundo o brasileiro Túlio de Oliveira, diretor do Krisp, instituto científico que realiza testes genéticos para dez países africanos. O Krisp, que no ano passado descobriu a cepa na África do Sul responsável pelo ressurgimento dos casos de Covid-19 no país, identificou a nova variante em viajantes em Angola vindos da Tanzânia.

“É potencialmente de interesse”, disse Oliveira em entrevista na sexta-feira.

Variantes do coronavírus têm causado preocupação ao redor do mundo. A primeira variante identificada na África do Sul, chamada de 501Y.V2, se mostrou mais contagiosa e mais resistente a algumas vacinas. Nenhum estudo foi realizado ainda sobre a versão encontrada em três viajantes da Tanzânia para determinar se a variante é mais transmissível ou mais grave do que outras cepas.

A versão recém-descoberta será cultivada em laboratórios do Krisp e testada para verificar com que facilidade evita os anticorpos, disse Oliveira. A variante vem de uma linhagem do vírus identificada pela primeira vez na China, enquanto muitos outras tiveram origem na Europa.

Sob o comando do presidente John Magufuli, que faleceu recentemente, a Tanzânia parou de divulgar dados sobre casos de coronavírus e abriu a economia, como a ilha de Zanzibar, que atrai turistas estrangeiros. A postura de Magufuli atraiu críticas de países vizinhos e da OMS, pois relatos sugerem que muitas pessoas no país contraíram a doença.

Samia Suluhu Hassan, sucessora de Magufuli, ainda não indicou se mudará suas políticas.

“Este pode ser um grande alerta para a Tanzânia”, disse Oliveira.
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