Daniel Vorcaro do Banco Master é citado na Revista The Economist: ¨O colapso de um banco brasileiro que tem políticos e juízes no esquema¨
A revista britânica The Economist de propriedade da família Rothschild, publicou na quinta-feira 22/01/2026 uma matéria sobre o caso do Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo BC (Banco Central) em novembro. Afirmou que a investigação expôs ligações entre os políticos, o Judiciário e os “figurões” do mercado financeiro em Brasília. Afirmou que o empresário Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira, passou anos cultivando laços com a elite brasileira.
Daniel Vorcaro começou a se divertir após se tornar chefe do Banco Master, um banco brasileiro de porte médio, em 2019. Nos anos seguintes, gastou generosamente em propriedades, jatos particulares, um hotel de luxo, prostitutas, e um time de futebol (Atlético Mineiro). Ele gastou mais de 3 milhões de dólares na festa de 15 anos da filha. Enquanto o champanhe corria e os jatos acumulavam milhas, alguns questionavam como o Banco Master crescia tão rápido. O modelo de negócios do banco baseava-se na venda de certificados de depósito bancário, um produto de renda fixa popular no Brasil, com taxas de juros incomumente altas.
Rachaduras começaram a surgir em setembro, quando o Sr. Vorcaro tentou vender a empresa de repente. Ele encontrou um comprador disposto no Banco de Brasília (BRB), um credor controlado pelo governo do distrito federal do Brasil. No entanto, quando o Banco Central investigou os detalhes da fusão, descobriu que o Banco Master não possuía liquidez. Investigadores descobriram que havia vendido portfólios de crédito sem valor para a BRB por mais de 2 bilhões de dólares. Logo depois, o Sr. Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular para Dubai. O fundo de seguro de depósitos do Brasil desembolsará entre 7,5 e 10 bilhões de dólares para reembolsar os poupadores, a maior compensação desse tipo na história do país.
A saga poderia ter terminado ali. Mas os efeitos do colapso do Banco Master vão além do setor bancário. Isso porque o Sr. Vorcaro passou anos cultivando laços com a elite brasileira. O caso expôs vínculos entre políticos, grandes influências financeiras e o judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação da Suprema Corte e do Congresso.
O plano começou a se torcer logo depois que o Banco Central ordenou a liquidação do Banco Master em novembro. Jhonatan de Jesus, membro do Tribunal Federal de Contas (TCU), um órgão de auditoria cujos membros são nomeados pelo Congresso, alegou que o Banco Central agiu com pressa excessiva. Ele ordenou uma investigação para saber se poderia ter escolhido alternativas à liquidação. "Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante", diz um promotor sênior que trabalha no caso. O Sr. Jesus tem ligações próximas com o Centrão, um grupo de partidos ideologicamente fluidos que controlam o Congresso e têm uma longa história de corrupção.
Políticos do Centrão tentaram proteger o Banco Master antes que ele falisse. O senador Ciro Nogueira, ex-chefe de gabinete de Jair Bolsonaro, um populista de direita e ex-presidente, tentou bloquear uma investigação do Congresso sobre os negócios do Banco Master e defendeu um projeto que daria ao Congresso o poder de demitir o chefe do Banco Central. Enquanto isso, Ibaneis Rocha, o governador de Brasília, defendeu vigorosamente a aquisição do Banco Master pelo BRB, mesmo com muitos analistas fortemente alertando contra isso. (Um juiz desde então removeu o diretor executivo do BRB devido a possível interferência política.) O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também está sob investigação, foi o maior doador individual da campanha de Bolsonaro em 2022, e da campanha de Tarcísio de Freitas, o governador de direita de São Paulo.
Abre gergelim
Quando os investigadores abriram o telefone do Sr. Vorcaro, encontraram ainda mais ligações com energia. O banco havia assinado um acordo no valor de 24 milhões de dólares ao longo de três anos com um escritório de advocacia dirigido pela esposa de Alexandre de Moraes, um influente juiz da Suprema Corte. A vaguidade do contrato e as grandes quantias envolvidas não são "normais" pelos padrões brasileiros, diz um especialista jurídico. Logo depois, um jornal revelou que o Sr. Moraes havia telefonado ou encontrado Gabriel Galípolo, chefe do Banco Central, várias vezes na preparação para a liquidação do Banco Master.
O Sr. Moraes e sua esposa negaram qualquer irregularidade. O procurador-geral encerrou uma investigação sobre o casal, citando evidências insuficientes de má conduta. O Sr. Moraes diz que ele e o Sr. Galípolo se reuniram para discutir assuntos não relacionados ao Banco Master. Ainda assim, seu comportamento autoritário levantou sobrancelhas. Em 14 de janeiro, ele abriu uma investigação sobre a unidade de inteligência financeira do Brasil e o serviço federal de receita para descobrir se haviam vazado informações sobre o contrato.
A imagem não é melhor para o colega de Moraes, José Antonio Dias Toffoli, juiz, que encerrou outras investigações anticorrupção contra a elite de Brasília. O Sr. Toffoli viajou em um jato particular com um advogado do Banco Master aproximadamente na mesma época em que o sistema de loteria da Suprema Corte o designou para liderar o caso contra o escritório. Depois, descobriu-se que o Sr. Zettel havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que pertencia aos irmãos do Sr. Toffoli. Não há evidências de que o Sr. Toffoli soubesse do assunto, e ele não falou publicamente sobre o assunto.
No entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o tribunal mais alto do país carece de imparcialidade. Para combater tais suspeitas, o novo presidente da corte, Edson Fachin, um juiz sério que evita os holofotes, propôs que o tribunal adotasse um código de ética inspirado no do tribunal constitucional alemão. Os colegas do Sr. Fachin zombaram.
O único vencedor claro dessa saga sórdida é o Sr. Galípolo, o chefe do Banco Central, que se manteve firme diante das pressões para salvar o Banco Master. O Sr. Jesus foi forçado a retirar sua investigação. Desde então, o Sr. Galípolo pediu aos parlamentares que concedam ao banco autonomia administrativa, orçamentária e financeira, além da autonomia operacional que ele já possui. Isso daria ao banco poderes mais robustos de supervisão sobre as instituições financeiras e um alívio das duvidosas maquinações de Brasília.
GASTOS E BRB Vorcaro gastou de forma generosa com imóveis, jatos particulares, hotéis de luxo e na SAF do Atlético-MG. O texto também diz que o empresário teria gastado US$ 3 milhões na festa de 15 anos da filha. O Banco Master cresceu rápido, com modelo de negócio baseado na venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com taxas de juros “excepcionalmente altas”. O título é um produto de renda fixa popular no Brasil. A revista disse que os problemas começaram a aparecer em setembro, quando Vorcaro tentou vender a empresa de forma repentina. O caso é mais antigo, porém. O Conselho de de Administração do banco BRB(Banco de Brasília) aprovou, por unanimidade, a compra do Banco Master em 28 de março de 2025.
Em abril, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse que a compra do Master resultará em um grupo financeiro com maior competitividade para oferecer serviços em condições vantajosas a clientes de todo o país. Ele foi afastado do cargo em novembro de 2025 por decisão judicial, depois da operação Compliance Zero, que investiga a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
A Economist disse que o Banco Central investigou os detalhes da fusão do Master com o BRB e descobriu que a instituição financeira de Vorcaro não tinha liquidez. O banco havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões.
Vorcaro também investiu cerca de R$ 30 milhões na LFU — agora chamada FFU (Futebol Forte União), que é uma entidade que comercializa os direitos de transmissão de jogos de 35 clubes brasileiros, incluindo times da Série A como Corinthians, Vasco, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro. Esse montante foi aplicado por meio de um fundo de investimento chamado Astralo 95, que adquiriu debêntures conversíveis em ações da liga. A FFU não é formalmente alvo das investigações da Polícia Federal, mas o fato de o fundo Astralo 95 estar sob investigação pode impactar esse investimento, que deve entrar na liquidação de bens para pagamento de credores do Banco Master.
Com informações The Economist
