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Assim como as placas do Mercosul chegaram para os carros, entre idas e vindas MOEDA ÚNICA DO MERCOSUL está cada vez mais se tornando uma realidade prestes a acontecer


Ao longo de 30 anos, o Mercosul viu fracassar várias ideias para a criação de uma moeda comum aos quatro países constituintes do bloco econômico.


Em julho de 1998, na cidade argentina de Ushuaia, o então presidente argentino, Carlos Menem, apresentou a ideia de criar uma moeda comum para os países-membros do Mercosul, sendo estes Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.


O entusiasmo de Menem em tal projeto, no entanto, acabou sendo relativizado devido a outros eventos que em nada teriam a ver com a moeda em si, tais como a presença do líder sul-africano Nelson Mandela e a aprovação do Protocolo de Ushuaia. Este documento inclui a Cláusula Democrática, e anos mais tarde foi utilizado para suspender o Paraguai, em 2021, e a Venezuela, em 2017.


O presidente argentino estava confiante demais no projeto de moeda comum, tendo até citado o ideal em janeiro de 1998 no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Menem chegou até a assegurar que o Mercosul seguiria "os passos da União Europeia", só que avançando mais rápido.

A ideia de uma moeda comum dentro do bloco seria, então, uma das possibilidades já ponderadas desde a assinatura do Tratado de Assunção de 1991, que sublinhava a "coordenação de políticas macroeconômicas" como um dos objetivos da associação, incluindo a integração "monetária" como um dos pontos a coordenar entre os quatro países.

Contudo, nem todos os membros do bloco tinham o mesmo entusiasmo ou opinião sobre o assunto. Na época, para o governo de Fernando Henrique Cardoso, a existência de uma moeda única era algo bastante "prematuro" para o Brasil.

Em 1999, diante da desvalorização do real brasileiro, Menem voltou a tentar levar sua ideia avante, propondo uma moeda única como forma de salvar a economia brasileira. Contudo, sua ideia, de novo voltou a não ter efeito, reforçada pela perda da igualdade do peso argentino com o dólar americano.


Desde então, a ideia de uma moeda comum regional caiu em desuso, sendo apenas referida muito esporadicamente, se bem que ainda carregada com alguma esperança.


Brasil: intensões dos presidentes Lula e Bolsonaro

Presidente do Brasil por duas vezes, Luiz Inácio Lula da Silva ponderou a ideia de moeda única até antes de assumir seu primeiro governo. Em 2008, voltou a referir o projeto durante a criação da Unasul (União de Nações Sul-americanas) e do Banco do Sul.


"Agora estamos criando o Banco do Sul; estamos caminhando para que, no futuro, tenhamos um banco central único, para ter uma moeda única. É um processo, não é uma coisa rápida, mas vamos caminhar até lá", declarou Lula quando presidente.


Foto oficial da 54ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em 2019, em Santa Fé, na Argentina, última a ser realizada presencialmente, antes da pandemia da COVID-19. (FOTO REPRODUÇÃO)


Onze anos mais tarde, este tema voltou a entrar em consideração quando o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, mencionou a ideia em uma reunião com seu homólogo argentino, Mauricio Macri, em Buenos Aires. Como em outros casos anteriores, o sucesso da experiência europeia foi utilizado como referência.


O projeto voltou a ser rejeitado novamente, desta vez pelo Banco Central brasileiro, mas, durante a cúpula do Mercosul na Argentina, em 2019, foi solicitada a realização de um estudo sobre a viabilidade da existência de uma moeda única.


Moeda comum do Mercosul vai ou não se concretizar?

Já se passaram 30 anos desde o estabelecimento do bloco econômico sul-americano, e analistas continuam pessimistas em relação à proposta de criação de moeda comum, e se terá, de fato, algum futuro.


"Um Banco Central do Mercosul não tem sentido. Uma moeda do Mercosul é uma utopia, pois não há condições prévias ou institucionais que permitam a formação efetiva de um mercado comum. Não existe um mercado comum, não existem políticas reguladoras semelhantes, não existem projetos estratégicos comuns", comentou o economista argentino Marcelo Elizondo, consultado por nosso site. 

O analista aponta que a "coordenação macroeconômica" entre os países prevista no primeiro artigo do Tratado de Assunção nunca foi cumprida, pois não se pode avançar em uma divisa comum enquanto não existir uma "certa homogeneidade interna nas áreas econômica, produtiva, reguladora e institucional".

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