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Bolsonaro e Putin conversam por horas em telofonema, falaram sobre o Coronavírus, SPUTNIK V e economia

O presidente Jair Bolsonaro conversou por telefone nesta última terça-feira (6) com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Segundo a Secretaria de Comunicação Social do governo brasileiro, os chefes de Estado trataram da compra e da produção da vacina russa Sputnik V, desenvolvida para combater a COVID-19.

A ligação também contou com a presença do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, do ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga e outras autoridades do governo federal.

Para Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Bolsonaro viu que a condução do Palácio do Planalto na pandemia da COVID-19 é mal avaliada entre os brasileiros, principalmente no que se refere à vacinação da população.

"Bolsonaro sabe que as pesquisas indicam que a intenção de voto que ele tem para 2022 já está numericamente sendo superada pela presença do Lula. Ao mesmo tempo, a desaprovação do seu governo tem aumentado. O elemento principal [da desaprovação] é a falta de gestão na resolução da pandemia. Essa ligação é um indício de que o presidente novamente reage tardiamente, mas melhor reagir do que ficar absolutamente estacionado", disse ao site. 

Segundo Prando, Bolsonaro está tentando se desvencilhar da figura do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.


"O alinhamento imediato, quando não uma situação até mesmo de subserviência, por parte do presidente Bolsonaro e do ex-chanceler Ernesto Araújo ao Donald Trump acabou por atrapalhar a relação do Brasil no cenário internacional com outros países e com outros governos", completou.

O Palácio do Planalto informou que Bolsonaro e Putin também falaram sobre temas de comércio e cooperação nas áreas de indústria, defesa e ciência. Bolsonaro "enfatizou a necessidade que mais frigoríficos brasileiros sejam liberados para exportação" na Rússia.


Moisés Marques, professor do curso de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP), também atribuiu o telefonema com Putin ao mal desempenho de Bolsonaro nas pesquisas de opinião.


"Ele [Bolsonaro] quer mostrar que está tomando uma medida estratégica, buscando diretamente nas fontes as possibilidades de novas formas de imunização porque a vacinação é muito mal avaliada pela população. Tem um gesto simbólico em Bolsonaro telefonar diretamente para o Putin", afirmou ao site. 

Marques diz que o presidente brasileiro "está tentando dar sinais que quer retomar algumas práticas antigas de política externa".


"Houve uma tentativa de freio e de arrumação porque o que estava acontecendo no Ministério das Relações Exteriores era absurdo. O governo está tentando mostrar que o Brasil pode voltar a ter um certo multilateralismo, um certo pluralismo nas relações exteriores", comentou.

Rodrigo Prando acredita que a atitude de Bolsonaro é um sinal aos setores da economia brasileira que pedem imunização em massa.

"Essa ação do Bolsonaro discutindo vacinas, fabricação, compra e vendas de carnes para o exterior é um sinal que, talvez premido pela necessidade de mudar a política externa, e tendo que dar uma resposta aos atores políticos e ao mercado brasileiro, o presidente tenha feito esse gesto", completou.

A Sputnik V ainda não tem autorização para uso emergencial no Brasil. O pedido feito pela União Química ainda está sendo avaliado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Governadores de pelo menos 11 estados já pediram a importação de mais de 66 milhões de doses do imunizante russo.

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