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No último Debate Presidencial antes das Eleições Americanas de 03 de Novembro de 2020: 5 Coisas para ficarmos de olho no confronto Biden vs Trump

O tempo está se esgotando para o presidente Donald Trump. Ele está atrás do candidato democrata à presidência, Joe Biden, na maioria das pesquisas nacionais e naquelas feitas nos estados que são considerados "campos de batalha" da eleição. Com isso, o debate de hoje à noite será a última e melhor chance do titular para tentar mudar a trajetória de uma corrida que, a menos de duas semanas de terminar, parece favorecer o rival.

Depois de uma luta inicial que rapidamente se transformou em uma discussão aos gritos, com Trump interrompendo Biden repetidamente e atropelando o moderador do primeiro debate, o segundo encontro, agendado para a semana passada, foi cancelado. Isso ocorreu por causa do diagnóstico de Covid-19 do presidente e a subsequente recusa em participar de uma reunião virtual.


Desta vez, a Comissão de Debates Presidenciais deu luz verde para um confronto pessoal, mas com uma mudança sem precedentes: os candidatos terão os microfones desligados enquanto os oponentes respondem à primeira pergunta de cada um dos seis blocos do debate.


Os tópicos programados para discussão durante 90 minutos sem intervalo incluem combate à Covid-19, famílias norte-americanas, questão racial nos EUA, mudanças climáticas, segurança nacional e liderança. Mas os temas são apenas os pontos iniciais determinados pela moderadora Kristen Welker, da rede NBC. Para onde os candidatos conduzirão a conversa, especialmente no caso de Trump, é um mistério.


Veja cinco pontos a serem observados no debate de hoje.


Trump vai atropelar as novas regras?


Para impor as regras do debate, a comissão recorreu a algo familiar a um país que hoje opera por videoconferências: o botão de mudo. Mas há dúvidas sobre a eficácia da nova medida.


A campanha de Trump sugeriu que essa limitação de tempo dará a Biden a chance de se atrapalhar. Verdadeiro ou não, o desempenho do primeiro debate sugere que Trump não tem autocontrole para ficar quieto e aguardar a conversa. Se ele tentar interromper, sua voz poderá ser captada pelo microfone de Biden.


O sentimento de ressentimento do presidente sobre as mudanças também pode levá-lo a perseguir a moderadora Welker. A campanha dele já atacou a comissão e o presidente tem um histórico de lançar ataques sexistas contra moderadoras de debates.


Trump e aliados preparam os planos para atacar Welker e a comissão, desrespeitando as regras sempre que podem. A forma como Trump executa essa estratégia pode dar aos eleitores que ainda não votaram uma última chance de ver quem é o presidente antes de tomarem a decisão.

Covid-19 em ascensão


Trump quer evitar o ruído constante de notícias sobre o novo coronavírus. Números crescentes em todo o país (incluindo nos estados pêndulos decisivos para a vitória) tornam isso impossível.


O aumento nacional é significativo: a Universidade Johns Hopkins revelou que os EUA registraram mais de 60 mil novos casos na terça-feira (20) e 58 mil na segunda (19), levando os especialistas em saúde pública a se referir a este momento como um terceiro surto de infecções.


Politicamente, porém, os números nos estados indecisos são ainda mais terríveis. Casos e mortes estão aumentando em Wisconsin, Pensilvânia, Ohio, Iowa e Michigan, estados centrais para a reeleição de Trump. As ondas da pandemia também dominam a cobertura de notícias locais, o que significa que a maioria dos eleitores está indo às urnas com lembretes frequentes da pandemia em curso.


Isso é um problema para Trump. O vírus dominou as eleições de 2020, forçando os dois candidatos a repensar a forma como fazem campanha, especialmente depois que o próprio presidente contraiu o vírus. Mas Trump mostrou sinais recentes de raiva profunda com o foco na doença, criticando jornalistas e até mesmo encerrando abruptamente uma entrevista no programa “60 Minutes” quando muitas das perguntas eram sobre a pandemia.


O novo coronavírus continua sendo a questão mais importante na mente dos eleitores. A maneira como Trump lida com questões sobre o assunto terá implicações significativas nesta eleição.


Biden tenta passar em mais um teste


O debate de hoje à noite é efetivamente o último grande obstáculo que deve ser superado por Biden, um candidato que – apesar da reputação de gafes e alguns pequenos tropeços ao longo do caminho – manteve, em grande parte, a mesma mensagem desde o lançamento da campanha em abril de 2019.


Nas últimas semanas da corrida de 2020, isso obrigou Biden a contornar algumas questões sobre como governaria. A mais persistente da qual ele se esquivou foi se apoiaria a pressão de alguns progressistas para adicionar juízes à Suprema Corte, que em breve poderá ter uma maioria conservadora de seis magistrados contra três.


Biden mudou essas conversas para um terreno mais seguro, focando em questões políticas como o futuro das proteções do Obamacare para pessoas com doenças pré-existentes, em vez de dar munição à campanha de Trump para pintá-lo como uma ferramenta da ala progressista do partido.


Ao apresentar desempenhos sólidos em debates e entrevistas, Biden também evitou quaisquer momentos que pudessem parecer (para um público de milhões de pessoas) qualquer coisa parecida com o declínio mental que a campanha de Trump alardeia sem base a respeito do ex-vice-presidente de 77 anos.


A rotina diária de discursos atrozes e interações com repórteres na campanha que se seguirá ao último debate não terá o mesmo impacto. Se Biden sair ileso, ele provavelmente vai resistir com sucesso a cada momento-chave, com o potencial de alterar a dinâmica de uma corrida presidencial a qual as pesquisas mostram que ele está vencendo.

A resposta de Biden aos ataques pessoais de Trump


No universo alternativo da mídia de direita, Biden está atualmente envolvido em um escândalo relacionado a alegações não comprovadas sobre seu filho Hunter Biden. Há também uma falsa teoria da conspiração conhecida como “Obamagate” divulgada por Trump, apesar dos fundamentos terem sido derrubados no mundo real.


Nada disso parece ter movido os eleitores que ainda não fazem parte da base de Trump. E atacar o filho sobrevivente de Biden também pode ser um tiro que sai pela culatra. Mas o presidente certamente tentará usar tudo para atacar Biden, um candidato que às vezes mostra um temperamento explosivo.


Será que Biden vai responder de forma agressiva, falando da reportagem do New York Times que conta que Trump mantém uma conta bancária na China sob um nome corporativo, ou que os próprios filhos e negócios se beneficiaram financeiramente da presidência? Ou ele tentará não cair na armadilha, demonstrando aos eleitores uma ânsia de tomar o caminho certo, embora potencialmente deixando alguns dos ataques de Trump sem resposta?


A importância das mensagens de encerramento


Com o início da votação antecipada e milhões de norte-americanos votando pelo correio, o número de eleitores indecisos ainda em disputa é provavelmente muito menor do que há algumas semanas. Mesmo em circunstâncias mais convencionais, os debates são tanto para estreitar a mensagem para apoiadores em potencial quanto para “ganhar” a discussão em um determinado assunto.


Em discursos recentes, Trump deixou claro que está perturbado com os números das pesquisas que sugerem que seu apoio entre os eleitores suburbanos e as mulheres está diminuindo. Ele provavelmente tentará se dirigir a eles no debate, mas o desafio será se mostrar coerente e convincente para tais eleitores – não simplesmente reclamando ou se perdendo em teorias da conspiração, como já faz.


Biden também tem trabalho a fazer, principalmente com eleitores negros e latinos. Eles o apoiam por uma grande margem, mas não no nível que Hillary Clinton ou Barack Obama desfrutavam. Se Biden puder energizar essa base tradicional de apoio democrata, ele estará em melhor posição no dia da eleição. Do contrário, a margem de manobra dele fica muito menor.

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