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Em meio à pandemia e incertezas políticas, mercado de ações dos EUA poderá colapsar?



Os EUA arriscam enfrentar uma onda de inadimplência e uma queda maciça nos preços dos ativos. Para lidar com a baixa receita, as empresas tomaram muitos créditos, o que pode ter consequências graves.


A proporção das responsabilidades financeiras das empresas públicas em relação aos ativos está no máximo dos últimos 20 anos, embora as ações subam.


Esperança na melhoria da situação

Nos últimos seis meses, as empresas norte-americanas têm crescido rapidamente em valor, devido à atividade dos investidores e às medidas de apoio econômicos do Estado no âmbito da luta contra a pandemia. Antes das eleições presidenciais, o mercado de ações caiu por conta da incerteza política. No entanto, depois da notícia sobre os testes bem-sucedidos da vacina Pfizer, os índices da bolsa de valores subiram rapidamente.


No entanto, a Reserva Federal Americana (Fed, na sigla em inglês) adverte que o mercado pode entrar em colapso a qualquer momento. O regulador enfatiza que o agravamento da situação foi evitado devido à injeção de dinheiro pelo Fed e "outras ações tomadas para apoiar a economia".

Se a pandemia durar mais tempo do que é esperado, especialmente no caso de atraso na produção ou distribuição da vacina, haverá grandes problemas. O maior risco é entrar em novo lockdown, com o fechamento de empresas e cortes maciços de empregos.


As dívidas

O regulador está preocupado com as grandes dívidas corporativas, que foram contraídas quando as empresas tentaram sobreviver à queda das receitas e à redução da atividade econômica. Atualmente, nos EUA a proporção da dívida das empresas públicas em relação a seus ativos está no máximo de 20 anos.


O setor dos seguros se endividou a um nível nunca antes visto desde a crise financeira de 2008. O mercado de imóveis comerciais sofreu significativamente, devido às restrições para controlar a COVID-19. Todas as esperanças estão agora depositadas na vacinação em massa.


"Caso contrário, a recuperação inicial falhará, o que colocará pressão sobre os mercados financeiros", de acordo com o relatório de novembro do Fed. "A combinação de grandes créditos no setor empresarial não financeiro com rendibilidade baixa contínua pode causar uma onda de inadimplência e queda dos preços dos ativos."

De acordo com os dados do Fed, as obrigações de dívida do grau de investimento são "quase um recorde": US$ 2,25 trilhões (R$ 12 trilhões) ou 35% do valor total dos títulos das empresas. Nesta situação, o risco da colapso do mercado acionário é muito alto, destaca o Fed.


Risco de subida de taxas

O Fed afirmou que as tensões entre os EUA e a China, a incerteza geopolítica, junto aos preços demasiado altos dos ativos, podem causar um grande choque.


"Isso diminuirá a vontade dos investidores de assumir riscos em geral", de acordo com o relatório do Fed.

Como resultado, a queda dos índices bolsistas pode ser muito drástica.


Além disso, o possível aumento das taxas de juros de referência também influencia. Depois do fim do ciclo de flexibilização da política monetária, os mercados e a indústria, acostumados ao dinheiro barato, enfrentarão grandes problemas.


Atenção às vacinas

Em março os mercados de ações dos EUA sofreram a maior queda desde 1987. Os índices Dow Jones, S&P 500 e NASDAQ caíram 10%, a maior redução em 33 anos.


Bill Ackman, fundador do fundo multimercado Pershing Squar, tem a certeza de que, apesar das notícias sobre a vacina, os governos terão que voltar às quarentenas e aos lockdowns, muitas empresas falirão. Os próximos meses serão os mais difíceis.


A queda da bolsa de valores também é prevista pelo investidor Jim Rogers, antigo associado de George Soros. As medidas excessivas de combate à pandemia prejudicaram a situação ainda mais, segundo o investidor. Agora as empresas têm grandes dívidas, exigindo crescente apoio por parte dos bancos centrais.


Existem apenas dois cenários: inadimplência em massa e (ou) desvalorizações monetárias em grande escala dos países devedores. Nos EUA, o iminente colapso do mercado de ações será o mais grave desde os tempos da Grande Depressão.

Um dos aceleradores da queda do mercado bolsista pode ser a situação com as vacinas. Já existem dúvidas quanto à sua segurança e eficácia, dado que um dos voluntários que havia tomado a vacina da empresa farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca faleceu recentemente.

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