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Como quarta Ministra da Cultura no Governo Bolsonaro, Regina Duarte terá R$ 2 Bilhões de orçamento no Ministério

A atriz Regina Duarte disse "sim" para o presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, 29, e aceitou assumir a Secretaria Especial de Cultura, após se reunir com o presidente no Palácio do Planalto.
O anúncio foi feito pela própria Regina, a jornalistas, após o encontro. O jornal O Estado de S. Paulo antecipou que ela havia aceitado o convite.
"Sim, mas agora vão ocorrer os proclamas antes do casamento", disse Regina ao ser questionada se aceitou assumir a secretaria. O edital de proclamas é um documento que o cartório emite quando os noivos dão entrada no casamento civil.
Pouco antes, ao chegar ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro também mencionou o trâmite para falar sobre a situação de Regina Duarte no governo. "Estamos na fase dos proclamas", disse Bolsonaro no fim da tarde, ao chegar ao Palácio do Alvorada, residência oficial do presidente. "Está tudo certo, está caminhando. Ela está acertando as questões pessoais dela", afirmou. Desde o convite, a atriz falava que estava em fase de "noivado" com o presidente.
Regina vai ocupar a vaga de Roberto Alvim, demitido após divulgar um vídeo em que fazia referências ao nazismo. Regina será a quarta secretária da área no governo de Bolsonaro. Antes dela vieram Roberto Alvim, Ricardo Braga e Henrique Pires. "É bom para o Brasil Regina Duarte ajudar o governo. (Sobre o caso Alvim): É inaceitável valorizar o nazismo, parabenizo o presidente pela rápida decisão. Alvim ou é autoritário ou é louco", afirmou Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados.
Além do presidente, participaram do encontro o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, a quem a Secretaria da Cultura está subordinada, e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Em nota, Álvaro Antônio comemorou.
"Trata-se de um reforço do mais alto nível para compor o time do governo federal. Turismo e Cultura são atividades com uma forte sinergia que mostram ao mundo o que o Brasil tem de melhor, além de terem um alto potencial de geração de emprego e renda em nosso país e é sob essa perspectiva que trabalharemos fortemente e tendo essa importante parceira em nossa equipe. Tenho certeza de que ela será bem-sucedida nesse novo desafio e que teremos excelentes resultados", afirma, em nota, o ministro do Turismo.
Na terça-feira, 28, Bolsonaro afirmou que Regina teria liberdade total para fazer as mudanças que quisesse caso aceitasse assumir a Secretaria Especial. "Para mim seria excepcional, para ela é a oportunidade de mostrar realmente como é fazer cultura no Brasil. Ela tem experiência em tudo que vai fazer.
Precisa de gente com gestão ao seu lado, tem cargo para isso, vai poder trocar quem ela quiser lá sem problema nenhum. Então tem tudo para dar certo a Regina Duarte", disse ainda Bolsonaro.
Após se reunir com o presidente, Regina foi à Secretaria-Geral da Presidência para se informar sobre as formalidades para assumir o cargo público.
Nascida em Franca em 5 de fevereiro de 1947, filha de um tenente reformado do Exército e de uma dona de casa, Regina Duarte se tornou um dos principais nomes da televisão brasileira, com uma carreira de mais de 50 anos.
Em 1975, quando a novela Roque Santeiro foi censurada pela ditadura militar às vésperas da estreia, a atriz, que não estava no elenco, mas já era a "namoradinha do Brasil", foi a Brasília para protestar. Na versão de 1985, ela foi a Viúva Porcina.
Em 2002, ao apoiar a campanha de José Serra à Presidência, disse a frase que ficaria famosa: "Eu tenho medo". Seu medo era de que Lula ganhasse as eleições.
Em 2018, ela se manifestou publicamente a favor da candidatura de Bolsonaro em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ela, Bolsonaro tem "humor brincalhão típico dos anos 1950, que faz brincadeiras homofóbicas, mas que são da boca pra fora, coisas de uma cultura envelhecida, ultrapassada". A última novela em que Regina atuou foi Tempo de Amar (2017), escrita por Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago.
Ainda sobre a resposta da atriz a Bolsonaro, o cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto comentou: "Quer dizer que casou? Eu desejo a ela uma boa lua de mel e um bom desempenho nesse casamento".
Já a empresária e produtora Flora Gil declarou: "Espero que ela consiga realizar o que ela pensa em fazer e que o que ela pretende realizar seja algo esperado pela sociedade e pelo universo cultural".

Regina Duarte será responsável por gerenciar a política do setor no país, orçada em R$ 2,25 bilhões, segundo o Portal da Transparência. Ela chefiará uma estrutura de seis secretarias, seis escritórios regionais e sete entidades vinculantes, sendo quatro fundações e três autarquias, como a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Tanto poder, contudo, terá um custo. Para assumir a pasta, Regina Duarte rescindirá o contrato com a TV Globo, onde recebe salário fixo de R$ 60 mil. Quando estava com algum trabalho no ar, os vencimentos chegavam a R$ 120 mil. Como secretária, terá remuneração de cerca de R$ 17 mil. Para contornar a situação, o governo estuda a possibilidade de ceder a ela o posto de ministra, tirando a Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo e transformando-a em ministério. Assim, os vencimentos mensais seriam de mais de R$ 31 mil, além de status elevado.

Não foi uma demanda direta de Regina Duarte, tampouco é uma prioridade do governo, mas a mudança é analisada como forma de prestigiar a atriz. Há quem diga, também, que é um jeito de agradar evangélicos, um dos principais grupos aliados do governo. Desde 2019, os religiosos negociam espaços generosos no primeiro e segundo escalões. Interlocutores governistas bancam que eles tiveram influência na decisão de transferência da Secretaria Especial de Cultura do Ministério da Cidadania para o Turismo, quando o dramaturgo Roberto Alvim ainda chefiava a política cultural.

A transformação da pasta em ministério nada mais é do que uma forma de ampliar a estrutura para valorizar nomes de confiança da atriz e de religiosos, que já atuam juntos. A secretária adjunta Janícia Ribeiro Silva, conhecida como reverenda Jane Silva, é amiga da artista e ligada à Igreja Batista da Lagoinha, a mesma da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

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