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Tudo pronto pra CEDAE ser privatizada no Rio de Janeiro: Cedae distribuiu 120 bilhões de litros de água contaminada, nos últimos 30 dias



Considerada a maior estação de tratamento do país, a instalação da Cedae no Rio Guandu tem uma vazão de 45 mil litros por segundo. Isso significa que, ao longo dos 31 dias de janeiro, 120,5 bilhões de litros de água contaminada por geosmina, o suficiente para encher 48.200 piscinas olímpicas, foram distribuídos para 9 milhões de habitantes da Região Metropolitana do Rio. O problema perdura, apesar de o governador Wilson Witzel ter prometido solucioná-lo na semana passada, e expõe uma grave crise de abastecimento.

O Rio é o estado com maior consumo per capita de água do país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS). Números revelam que a população vem pagando muito e recebendo pouco: entre 2014 e 2018, a tarifa média da água aumentou 21,1%, enquanto os investimentos da Cedae caíram 55%, aponta um levantamento da Inter B. Consultoria com base no SNIS.

Em uma reunião na última sexta-feira com representantes do Ministério Público e da Defensoria Público do Rio, o presidente da Cedae, Hélio Cabral, confirmou que a companhia começou a receber reclamações sobre as condições da água em 1º de janeiro. A partir daí, teve início uma série de explicações, promessas e estudos, mas nada de solução. Desde o princípio, a Cedae colocou a geosmina, substância de cheiro forte e gosto de terra produzida por algas, como a vilã da crise. No entanto, a concessionária garante que a água sempre esteve dentro dos padrões de potabilidade do Ministério da Saúde.

Carvão e argila
No último dia 10, a Cedae anunciou que aplicaria carvão ativado em seus reservatórios do Guandu para neutralizar a geosmina. A promessa era de que, uma semana depois, a situação se normalizaria. Como isso não aconteceu, a companhia começou a colocar, na quarta-feira passada, uma argila especial na lagoa usada para captação da água. O produto reduz a quantidade de fósforo, elemento químico que serve de alimento para as algas, mas o resultado esperado ainda não veio.

Enquanto as tentativas de solucionar o problema se sucedem, a população corre atrás de água mineral. Os estoques diminuem e os preços sobem. Segundo uma rede de supermercados, houve aumento de 400% nas vendas, em comparação com janeiro do ano passado.

No último dia 25, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) garantiu que a água coletada na lagoa do Guandu está dentro dos padrões. Especialistas, porém, cobram resultados de análises de 79 parâmetros de qualidade estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Para o economista Claudio Frischtak, que liderou os estudos da Inter B. Consultoria sobre o desempenho da Cedae, a falta de uma regulação eficaz é um dos grandes problemas.

— Temos falhas de governança na Cedae, que é usada politicamente, e nos seus contratos, que são frágeis, com cláusulas frouxas quanto ao cumprimento de obrigações. Para agravar, a regulação é ruim. Por isso, quando a Cedae não entrega o que a população merece, quase nada acontece — afirma Frischtack, que analisou dados de 20 empresas de saneamento do país.

— Dez, incluindo a Cedae, aumentaram tarifas e reduziram investimentos. Enquanto isso, estamos pagando por uma água intragável.

Em uma entrevista coletiva realizada há dez dias, o presidente da Cedae, Hélio Cabral, explicou que a companhia trabalha em três frentes: a curto prazo, a aplicação do carvão ativado no tratamento; a médio, transposição dos rios Queimados, Ipiranga e Poços, maiores poluidores da lagoa do Guandu; a longo, investimentos de R$30 bilhões em saneamento por meio da concessão da empresa. Ele também disse que a Cedae vai investir R$700 milhões na estação de tratamento até 2022.

Inicialmente, o estado descartou indenizar os consumidores. Mas, na última sexta-feira, a Cedae admitiu a possibilidade de dar descontos nas contas.

Enquanto isso, moradores da cidade continuam recorrendo aos galões e garrafas de água mineral.

— Nessa semana nem consegui comprar o galão porque, pela primeira vez, acabou no estoque do mercado aqui do lado — afirmou Luiz Claudio Xavier, morador do Santo Cristo. — A gente se preocupa, principalmente porque tenho uma filha pequena, de cinco anos. Acho um absurdo os governantes não darem atenção devida a essa situação ambiental. Fiquei muito surpreso quando vi a quantidade de esgoto no Guandu, em reportagens.

Está tudo favorável para a Nestlé ou Coca Cola administrarem:






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