Pesquisa traz evidências de que COVID-19 pode se inserir no genoma humano


O novo estudo explicaria por que alguns pacientes continuam testando positivo para COVID-19 muito tempo depois da recuperação, revelando como o SARS-CoV-2 se insere no genoma humano.


Os resultados da pesquisa dos cientistas do Instituto Whitehead em Massachusetts, EUA, confirmaram a hipótese de que as sequências do coronavírus poderiam ser copiadas e coladas em nosso genoma, segundo estudo publicado na revista PNAS.


Além de procurar fragmentos genéticos de coronavírus humano e observar sinais de que o vírus comandava ferramentas de transcrição, a equipe procurou evidências da existência de sequências do vírus realmente dentro do genoma humano. Para tal, os cientistas usaram três técnicas de sequenciamento de DNA.


Em cada caso, eles encontraram fragmentos de material genético do SARS-CoV-2 dentro da biblioteca genética de células intencionalmente infectadas, e o fato de os fragmentos terem sido inseridos de cabeça para baixo acrescenta peso ao argumento de que não foram inseridos deliberadamente por vírus vivos.

Em seguida, foi descoberto que o código genético possuía assinaturas de transposão, um gene de salto que desenvolveu um meio para sair do lugar e se inserir de volta em outra parte do genoma.


Alguns transposões conseguem fazer isso através do uso de enzimas roubadas de infecções virais passadas. As ferramentas que foram usadas uma vez pelo vírus para se inserirem dentro do hospedeiro, agora não servem para o dono, a não ser para própria sequência transponível.


Uma dessas classes de sequência, chamada de retrotransposão LINE1, compõe 17% de nosso genoma. Embora a maioria tenha perdido a capacidade de se mover, alguns estão suficientemente ativos para ainda causar danos, o que pode abrir o acesso do SARS-CoV-2 ao nosso DNA.


"Há uma junção muito clara para a integração do LINE1. Na junção da sequência viral com o DNA celular ele faz duplicação de 20 pares de base", disse Rudolf Jaenisch, pesquisador do estudo e biólogo no Instituto Whitehead.

No entanto, este trabalho foi feito em culturas de células infectadas em laboratório e não em hospedeiros humanos reais, o que gera dúvidas. Além disso, embora os fragmentos não sejam capazes de construir novas partículas infecciosas, não está claro se podem ser biologicamente ativos de outras maneiras, seja para o bem ou para o mal.

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