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BRICS: China converte poder econômico em influência política global

A cúpula dos BRICS em Xiamen, graças à presidência rotativa da China, aumentará a importância do bloco nos assuntos internacionais e pode se tornar uma plataforma para resolução de problemas bilaterais, comentaram especialistas russos.
Logo da  9.ª Cúpula dos BRICS, que acontece nos dias 3, 4 e 5 de setembro em Xiamen, na China
© SPUTNIK/ ZHANNA MANUKYAN
À procura da nova ordem econômica
A China, sendo um país que sedia a cúpula, convidou para as negociações os líderes do México, Tailândia, Guiné, Egito e Tajiquistão. Nos últimos anos, a China vem apelando para criação do BRICS+ para aumentar potencialmente a influência do bloco através do aumento dos países-membros, informou na sexta-feira (1) o jornal South China Morning Post.
Aleksandr Larin, especialista em questões do Extremo Oriente da Academia de Ciências da Rússia,que este é um dos traços mais distintos da cúpula deste ano.
"É uma inovação. Trata-se da expansão da influência do BRICS, bem como de suas áreas de atividade, fortalecendo, assim, sua atratividade. Ao mesmo tempo, o papel da China está aumentando. Falando objetivamente, ela tem de desempenhar o papel mais importante no BRICS, por ser o país mais forte economicamente. Ela está convertendo esse poder econômico no aumento de sua influência política global", frisou.
Temer Brics
BETO BARATA/PR
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Nas vésperas da cúpula, a Índia e a China conseguiram baixar a tensão na fronteira. Será realizado o encontro bilateral entre o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o líder chinês, Xi Jinping. Sem dúvidas, a ausência do representante da Índia na cúpula poderia ser considerada como um desejo de seguir com política de isolamento. A Índia adentrou nesse caminho quando ignorou o fórum chinês dedicado à nova Rota da Seda em maio, explicou à Sputnik China o analista russo Andrei Volodin.
"Narendra Modi tenta se posicionar diante os confrontos entre diferentes grupos de interesse. Justamente nesta cúpula ele tem a oportunidade de discutir multilateralmente os problemas da fronteira sino-indiana, bem como as ações de ambas as partes no conflito", acrescentou ele.
Segundo ministro chinês, países do BRICS devem aproveitar plataformas existentes para fortalecer cooperação em áreas-chave, já que o mundo ainda sofre efeitos da última crise
STR/AFP
BRICS fortalecem cooperação no setor industrial
A cúpula poderia vir a servir de ferramenta para recuperar o crescimento econômico dos países-membros? Essa é uma das perguntas mais importantes feitas pelos observadores. Ela determinará muita coisa, como por exemplo, se conseguirá desempenhar seu papel pragmático. A Rússia planeja discutir a cooperação comercial, investimentos e cooperação industrial, declarou o presidente russo Vladimir Putin à mídia. Ele também sugeriu que fosse criada uma base legal para cooperação na aérea da segurança informática. O desenvolvimento das regras universais da área de segurança informática está na lista de compromissos das partes.
O especialista da Academia de Diplomacia chinesa também falou sobre o papel da cúpula em Xiamen para o BRICS.
"A cúpula caracteriza o processo de desenvolvimento do mecanismo de cooperação no âmbito do BRICS […] É a segunda presidência rotativa da China, os seus membros estão aperfeiçoando tanto sua estrutura como influência internacional, que crescem cada vez mais. Mais do que isso, depois da crise financeira de 2008, a situação econômica mundial ficou instável e os países em desenvolvimento estão enfrentando muitos desafios. Nesse contexto, o BRICS se tornou o representante dos países emergentes e da nova unidade econômica, tão importante para a governança global. Finalmente, o BRICS é uma plataforma para a cooperação, que deu bons frutos nos últimos anos", explicou Ren Yuanzhe.

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