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A agonia do Rio De Janeiro : Jornal da Igreja Universal escancara a verdade sobre Pezão,Sérgio Cabral,Eduardo Paes e Família Picciani

Publicação teve tiragem nacional de 2,4 milhões de exemplares



Veja na íntegra : 



Luiz Fernando Pezão, atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o governador anterior, Eduardo Paes, prefeito, e os deputados Jorge, Leonardo e Rafael Picciani. A esse grupo, que comanda o Estado há nove anos e sua capital há sete anos, pode ser creditada a falência moral de uma das mais importantes unidades da federação. 
Desde que eles assumiram o Estado e sua capital, o Rio se viu mergulhado em acusações de negociatas e abandono. A dívida pública explodiu. Antes de Cabral assumir o governo estadual, era de R$ 34 bilhões; em agosto deste ano saltou para R$ 75 bilhões. Sem contar a inflação do período, o aumento foi de absurdos 120%! Na capital, passou de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,8 bilhões.
O Rio agoniza às vésperas de sediar a Olimpíada de 2016, mais importante evento esportivo do planeta. A população sofre nas áreas essenciais, como saúde, segurança pública, educação e transporte. Mas nem todos foram abandonados. Bilhões de reais são injetados em obras para maquiar o verdadeiro Rio para os Jogos Olímpicos. E o que é pior: ao final deles, beneficiarão empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato e empresários que defendem a segregação dos pobres, além de prosperar os negócios dos políticos.
Nesta edição especial da Folha Universal, você descobrirá como o “comando do Rio” consegue manipular a contratação de empresas deles e de amigos para conseguir lucros de milhões e milhões, enquanto a população fica de joelhos, pedindo acesso a um sistema público que ofereça condições mínimas de sobrevivência.
OS ESQUEMAS MILIONÁRIOS
A organização política que comanda o Estado e a cidade do Rio de Janeiro tem como principais cabeças o atual governador Luiz Fernando de Souza Pezão, o ex-governador, Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, os deputados estaduais Jorge e Rafael Picciani e o deputado federal Leonardo Picciani, todos do PMDB.
Pezão e Cabral se tornaram alvos de um inquérito aberto pela Polícia Federal, em março deste ano, durante a Operação Lava Jato, após um dos envolvidos no esquema de desvio de recursos da Petrobras delatar ao Ministério Público Federal (MPF) ter arrecadado R$ 30 milhões para serem injetados em um caixa 2 da campanha dos políticos ao governo do Rio, em 2010. À época, Cabral foi eleito governador e Pezão era seu vice. Atualmente, o inquérito está sob análise do relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, que deverá pedir um parecer ao MPF sobre a continuidade da investigação.
Pezão na Sanguessuga
Essa não foi a primeira vez que Pezão foi alvo de uma investigação federal. Em dezembro de 2010, ele teve seus bens bloqueados pela Justiça Federal ao ser acusado pelo MPF de ligação com a chamada Máfia dos Sanguessugas.
As acusações do MPF apontaram irregularidades na aquisição de ambulâncias quando Pezão era prefeito de Piraí, interior do Rio de Janeiro, entre 1997 e 2004. De acordo com auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), os veículos eram comprados por valores acima dos de mercado e as licitações eram direcionadas para favorecer as empresas do esquema.
Quando se tornou vice-governador de Sérgio Cabral e assumiu interinamente o cargo de governador do Rio de Janeiro durante uma viagem do então chefe a Paris, na França, assinou um decreto-lei expropriando uma casa em Piraí para ser ocupada pela Procuradoria-Geral do Estado.
Mesmo com o imóvel avaliado em R$ 300 mil, o Estado do Rio de Janeiro pagou R$ 470 mil. O que se descobriu depois foi que a casa desapropriada era de uma cunhada do então vice-governador do Rio, Ana Maria de Carvalho Horta Jardim, mãe de Flavio Cauterio, procurador de Pezão na campanha. Após investigação, o Ministério Público arquivou o processo contra Pezão.
Amigo oculto
No Rio, o jogo do poder tem uma característica especial: os políticos veteranos sempre dão um jeito de proteger os herdeiros políticos dos outros.
Foi o que aconteceu com o ex-governador Sérgio Cabral, flagrado em uma festa em Paris, na França. Entre os comes e bebes, Cabral foi fotografado ao lado do empreiteiro Fernando Cavendish, da Construtora Delta e, assim que as imagens se tornaram públicas, Cabral começou a amargar o gosto da desgraça política.
No Estado de Cabral e Pezão, a Delta tocou importantes obras, como a Transcarioca e a reforma do Maracanã, onde aconteceu a final da Copa do Mundo de 2014, mas investigações da Polícia Federal descobriram que Cavendish tinha como sócio oculto o bicheiro Carlinhos Cachoeira, condenado por exploração de jogos ilegais e corrupção.
Acusada de repassar valores para empresas de fachada controladas pelo bicheiro Cachoeira, a Delta, de Cavendish, também ficou sob suspeita de dar dinheiro para pagar propinas a autoridades.
Com a imagem arranhada perante os moradores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral deixou o governo antes do fim do mandato e abriu espaço para Pezão ser o número 1 do Estado, não sem deixar articulado para que seu filho, Marco Antonio, assumisse o cargo de secretário estadual de Esportes, justo no período das competições esportivas que farão com que o mundo olhe para o Rio.
Pulando do barco
Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani é um dos cotados para suceder Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio de Janeiro. Seu principal adversário é o deputado federal licenciado Pedro Paulo Teixeira, atual secretário de governo de Paes e envolvido em um escândalo de espancamentos contra sua ex-mulher (leia na página 20).
Na Câmara dos Deputados, Leonardo tinha como um dos grandes aliados o presidente da casa, Eduardo Cunha, também investigado na Lava Jato sob suspeita de manter na Suíça contas bancárias não declaradas à Receita Federal.
Assim que os investigadores da Lava Jato começaram a chegar perto de Cunha, Leonardo tentou desvincular sua imagem do padrinho político e, hoje, com a anuência de Pezão e Cabral, o filho de Jorge Picciani articula seu fortalecimento na Câmara dos Deputados para ocupar espaços abertos por Cunha, caso ele seja cassado pela omissão das contas na Suíça.
Pai renegado
Jorge Picciani foi surpreendido pela exibição da série de reportagens O Rio de Janeiro na Lama, da Rede Record, que questionava o governador Pezão sobre a posição do deputado estadual Picciani na sua articulação política durante as eleições de 2014.
Apesar de ter sido o coordenador de campanha de Pezão no ano passado como está nos sites oficiais dele e do PMDB do Rio, Jorge foi renegado pelo governador que, em nota oficial à Rede Record, afirmou que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio não chefiou sua campanha.
Em sua página na internet, Jorge se apresentou como articulador do Aezão, conexão montada por ele para pedir votos para o então candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) e o governador Pezão. Em uma foto exibida em seu site, ele aparece com um dos filhos acompanhando Aécio durante caminhada em Queimados, em 2014, em frente à estação de trem que teve parte de sua área pública repassada para uma empresa particular de Carlos César da Costa Pereira, sócio dos membros da família Picciani.

Menino prodígio
Apesar de ter só 29 anos, Rafael Picciani, deputado estadual e atual secretário municipal de Paes na Prefeitura do Rio, acumulou um patrimônio praticamente igual ao do pai. Rafael declarou em 2014 à Justiça Eleitoral que tinha R$ 9,7 milhões em bens. Seu pai, R$ 10,3 milhões. Rafael desbancou o irmão Leonardo, de 36 anos, dono de R$ 7,2 milhões.
ONDE OS POBRES NÃO TÊM VEZ
80 mil é o número de pessoas removidas da Vila Autódromo, na zona oeste do Rio. A comunidade surgiu como reduto de pescadores, ao lado da Lagoa de Jacarepaguá. Os moradores tinham títulos de posse dados pelo governo estadual há mais de 20 anos. Mas tudo mudou quando o local foi escolhido para a construção do Parque Olímpico.
R$ 720 foi o valor do metro quadrado do terreno repassado pela Prefeitura do Rio a três empreiteiras. O negócio foi lucrativo para as empresas, pois o preço dos terrenos na região é bem maior. Corretores ouvidos pela Rede Record dizem que o metro quadrado em Jacarepaguá chega a R$ 5 mil.
55% é a parte do terreno do Parque Olímpico que ficará com as empreiteiras. Essas empresas poderão lucrar com a construção de prédios de luxo de até 22 andares.
R$ 1,3 bilhão é o valor do acordo assinado pela Prefeitura do Rio com três empreiteiras, em abril de 2012.



Onde a maioria da população do Rio de Janeiro enxerga apenas pedra, os membros da família Picciani, principais aliados políticos do atual governador do Estado, Luiz Fernando de Souza Pezão (PMDB), e também do ex, Sérgio Cabral, veem cifrões, muitos cifrões, bilhões deles.
Maior canteiro de obras do Brasil hoje, principalmente por conta dos investimentos bilionários com dinheiro público para sediar a Olimpíada de 2016, o Rio de Janeiro está falido, com salários de trabalhadores terceirizados atrasados, mas a família Picciani não tem do que reclamar.
A falência do Rio pode ser comprovada, por exemplo, ao aproximar uma lupa da realidade do Hospital Universitário Pedro Ernesto, que teve seu sistema de limpeza paralisado por falta de pagamento e isso provocou a suspensão das cirurgias e internações.
Mas enquanto falta dinheiro para obrigações básicas, como as da saúde, o Rio despeja R$ 25 bilhões dos cofres púbicos nas obras da Olimpíada 2016.
Parte considerável do orçamento é destinada aos grupos de empresas ligadas aos aliados políticos dos comandantes da cidade e do Estado, principalmente os Picciani.
Muitas das megaconstruções no Rio hoje só acontecem graças ao material produzido em uma das empresas dos Picciani: a brita.
Sócios da Tamoio Mineração, os Picciani se apresentam como os principais fornecedores de brita para as obras de infraestrutura no Estado.
Ao seguir caminhões da Tamoio, a Rede Record constatou que a maior parte do material retirado da pedreira, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, tem como endereço de entrega o Parque Olímpico, onde está a maior parte das obras para os jogos de 2016.
Avaliada em R$ 1,3 bilhão, a obra é uma parceria da Prefeitura do Rio com três empreiteiras: Carvalho Hosken, Andrade Gutierrez e Odebrecht, as duas últimas investigadas na Operação Lava Jato, que apura desvios milionários na Petrobras.
Outra importante fonte de renda da Tamoio é o fornecimento de brita para a Transolímpica, via expressa de 26 quilômetros que atravessará a cidade do Rio.
Presidente da Assembleia Legislativa do Rio e também do PMDB do Estado, o deputado Jorge Picciani entrou no negócio da brita em setembro de 2011, quando já sabia que o Rio receberia investimentos públicos bilionários.
O responsável pela assinatura do contrato para a entrada dos Picciani no ramo da mineração foi Felipe Carneiro Monteiro Picciani, o único filho de Jorge que não está na política.
A assinatura de Felipe na aquisição da Tamoio foi feita por meio da Agrobilara Comércio e Participações, sediada em Uberaba (MG), também de propriedade dos Picciani, o que comprova que a Parceria Público-Privada (PPP) para o construção das obras da Olimpíada tem as mesmas pessoas dos dois lados do balcão, quem vende e quem compra brita tem a mesma caneta para fechar os negócios bilionários.
Jorge Picciani coordenou a campanha do atual governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza Pezão, durante as eleições de 2014. Neste ano, o deputado assumiu pela quarta vez a presidência da Assembleia Legislativa.
Ao ser questionado pela Rede Record sobre a Tamoio, Jorge Picciani afirmou, por meio de nota, que não é o dono da mineradora. Na versão do político, a acionista da Tamoio é a Agrobilara, empresa da família Picciani há 30 anos.
“A empresa Agrobilara, que pertence à minha família há 30 anos, é a acionista da Tamoio, mas não participamos da sua administração. Não temos gerência nem ingerência na administração da empresa que, repito, é uma S.A. [sociedade anônima]”, afirmou o deputado.
Ao alegar que não tem participação na administração da Tamoio, Jorge Picciani disse não ter condições de responder quantas toneladas de brita a empresa vende para os órgãos públicos e qual o valor praticado nas negociações.

Mineradora em Minas Gerais
Além da Tamoio, os Picciani também são sócios de uma outra mineradora, a Coromandel, localizada em Uberaba, assim como a Agrobilara.
Pouco mais de três meses antes de a família lançar três de seus membros a cargos públicos, Jorge e o filho Rafael à Assembleia Legislativa do Rio, e Leonardo à Câmara Federal, o capital social da Coromandel saltou de R$ 60 mil para R$ 27 milhões.
A aquisição da Coromandel não constou na declaração de bens de nenhum dos três então candidatos da família Picciani à Justiça Eleitoral nas eleições de 2014.
Também por meio de nota à Rede Record, Jorge Picciani afirmou que ele e seus dois filhos declararam à Justiça Eleitoral o controle da Agrobilara que, segundo ele, à época da declaração, era dona de 20% das cotas da Coromandel.
Mas documentos obtidos pela Rede Record na Junta Comercial de Minas Gerais provam uma situação oposta: a Agrobilara não tem relação com a Coromandel.
Ao contrário do que disse Jorge Picciani, os donos da Coromandel são 13 sócios, dentre os quais o próprio presidente da Assembleia Legislativa, sua mulher, Marcia Cristina Carneiro Picciani, e três dos quatro filhos do casal: Felipe, Rafael e Leonardo, que é deputado federal e líder do PMDB na Câmara Federal.
Em fevereiro deste ano, quando a Rede Record esteve na sede da Coromandel encontrou apenas duas máquinas perdidas na imensidão de um pasto. O fiscal que cuidava da empresa disse que a Coromandel produzia só fosfato (fertilizantes para a agricultura).
Na mesma proporção em que acumula milhões, a família Picciani também conquista espaço na política. Enquanto o deputado Leonardo Picciani é líder do PMDB na Câmara Federal, o irmão dele, Rafael, deputado estadual no Rio, ganhou um cargo estratégico na gestão do prefeito Eduardo Paes à frente da capital carioca: é secretário de Transportes.
Com apenas 29 anos, Rafael já ficou dois anos e meio à frente da Secretaria de Estado da Habitação do Rio e está no seu segundo mandato na Assembleia Legislativa carioca.
EM NOME DA AMIZADE
Aliados dos políticos integrantes do “comando do Rio” foram beneficiados com a compra de um terreno que integrava a estação de trem de Queimados, município na Baixada Fluminense, e que foi repassado pelo Estado à iniciativa privada para quitar uma dívida inexistente.
A Supervia, concessionária responsável pelo sistema de trens de passageiros no Rio de Janeiro, recebeu do Estado parte do terreno da estação de Queimados em 10 de dezembro de 2010. O terreno fazia parte do ativo da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), empresa estadual administradora da rede ferroviária carioca.
A negociação entre a Central e a Supervia, uma das empresas que compõem o grupo Odebrecht, multinacional brasileira investigada pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, sob suspeita de ligação com desvios milionários na Petrobras, foi de R$ 764 mil.
Apenas 11 meses depois de receber o terreno da Central, a Supervia revendeu a área para a Indústria e Comércio de Premoldados Cruzeiro do Sul e Porto Ferro Comércio de Metais Ltda., empresas de um sócio dos deputados Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio, e dois de seus filhos, Rafael e Leonardo. O valor do negócio para a aquisição do terreno, que mede 2.419 m², foi de R$ 740 mil.
Duas semanas antes de a Central transferir o terreno para a Supervia, em 29 de novembro, foi assinado um acordo entre o Estado do Rio de Janeiro e a concessionária de trens que quitou uma dívida de R$ 700 milhões entre as partes. Ou seja, quando o terreno foi entregue, o Rio de Janeiro já não devia mais nada para a Supervia.
Atualmente, o terreno que era do Estado do Rio de Janeiro e foi repassado às empresas de aliados políticos do “comando do Rio” abriga o Centro Comercial de Queimados (CCQ), um shopping com 8.000 m² de área construída. Entre outras empresas, o local abriga uma universidade, uma agência bancária, uma loja de departamentos, além de comércios e lojas de serviços.
A localização do empreendimento é privilegiada, afinal, conta com o fluxo de todos os passageiros da estação de trem como potenciais clientes, um sonho para qualquer comerciante.
À época da negociação, Gerard Andrés Fischgold assinou pela Supervia para a concretização da venda do terreno para as empresas de Carlos César da Costa Pereira, o Carlinhos, sócio do deputado Jorge Picciani e seus dois filhos em três empresas: Tamoio Mineração, Tamoio Construções e Empresa Brasileira de Mineração Coromandel.
Dois meses após vender o terreno da Supervia para o sócio dos Picciani, Andrés Fischgold deixou a empresa do grupo Odebrecht e foi atuar no Executivo do Rio de Janeiro, durante a gestão de Sérgio Cabral, como superintendente de estruturação metropolitana da Subsecretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro. Hoje, Andrés Fischgold está na Comissão para Elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.
Por meio de nota oficial, o empresário Carlos Pereira informou que a Indústria e Comércio de Premoldados Cruzeiro do Sul e Porto Ferro Comércio de Metais Ltda. “fizeram a locação do referido imóvel junto a Supervia em outubro de 2007, com validade de 15 anos. O mesmo [imóvel] lhes foi oferecido pela Supervia para aquisição em 2011. Por se tratar de um imóvel no qual as empresas já detinham a locação, as mesmas efetivaram a sua compra no mesmo ano.”
“Quanto à participação das empresas no fornecimento de materiais para obras públicas, a mesma vem lhe informar que fornece produtos para obras públicas e privadas desde a sua fundação, datada de 1983, pois se trata de produtos adquiridos para obras de infraestrutura urbana”, finaliza a nota.
SEGURANÇA E SAÚDE CADA VEZ  PIORES
A Olimpíada de 2016 deve garantir visibilidade ao Rio de Janeiro e atrair milhares de turistas. Apesar dos investimentos bilionários e das promessas de campanha, pouca coisa mudou no cotidiano da população. Os problemas são visíveis nos corredores dos hospitais e nas estatísticas da violência.
Uma reportagem especial da série O Rio de Janeiro na Lama, do Jornal da Record, mostrou a situação de instabilidade do Hospital Universitário Pedro Ernesto, cujos funcionários têm os salários atrasados, os atendimentos foram reduzidos e as condições são precárias. No último dia 24, a falta de pagamento da bolsa-auxílio levou os médicos residentes do hospital a paralisar suas atividades, mantendo apenas 30% do corpo médico em serviço. Cirurgias e internações foram suspensas, pois os funcionários terceirizados, que fazem a limpeza, estão com os salários atrasados. A expectativa do governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, é de que os pagamentos sejam normalizados até dezembro.
A falta de vagas e de infraestrutura é outro problema. Muitos pacientes morrem à espera de atendimento adequado. O Jornal da Record mostrou a história da mãe de Andreza Soares Amorim, Amália. Ela aguardou cinco horas na recepção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Nova Iguaçu até conseguir uma vaga. Depois de ser atendida, ela não conseguiu realizar uma tomografia por falta de especialista. Andreza chegou a entrar na Justiça para tentar transferir a mãe, mas Amália acabou morrendo por causa de um acidente vascular cerebral (AVC).
Em julho, um grupo de médicos se reuniu em frente à Secretaria de Estado da Saúde para protestar contra a situação da rede pública. Na ocasião, o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, disse à Agência Brasil que foram fechados cerca de mil leitos nos últimos dez anos no Estado. Já o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) entrou com uma representação na Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para que fossem investigadas omissões do governador do Estado no setor de saúde.
O governo do Estado do Rio de Janeiro informou ao Jornal da Record que, em 2014, investiu R$ 60 milhões em saúde. E que neste ano inaugurou um hospital em Nova Iguaçu e clínicas da família em nove cidades. Já a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro diz que mantém 14 unidades de pronto atendimento, que recebem 73 mil pacientes por mês, e que a transferência para hospitais da rede pública depende de indicação médica, classificação de risco e disponibilidade de leitos.
Violência
A violência subiu 55% em áreas policiadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. A soma dos registros de homicídios dolosos, homicídios decorrentes de intervenções policiais, roubos seguidos de morte e lesões corporais seguidas de morte subiu de 47 para 73 casos. Os dados foram divulgados em novembro pelo Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP), órgão subordinado à Secretaria Estadual de Segurança. Em relação ao semestre imediatamente anterior, o aumento foi de 46%.
Notícias sobre balas perdidas, assassinatos de inocentes, arrastões e latrocínios parecem indicar que a violência voltou a sair do controle. Em maio, a morte do médico Jaime Gold, de 57 anos, esfaqueado na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, chocou o País. No mesmo mês, o assassinato dos jovens Wanderson Jesus Martins, de 24 anos, e Gilson da Costa Silva, de 13 anos, durante operação policial no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, mostrou que a estratégia de segurança precisa ser reavaliada. Um policial civil admitiu ter atirado nos dois jovens. Em setembro, arrastões nas praias da zona sul assustaram moradores e turistas.
Diante de tantos problemas, resta saber se o Rio vai conseguir apresentar uma boa imagem ao mundo durante os Jogos Olímpicos.

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