ACABOU LULA! Fraude no INSS, ameaça à vida, Lulinha exposto, e tentativa de morte da filha em São Bernardo do Campo, Lobista Roberta Luchsinger em entrevista exclusiva à CNN Brasil devasta PT

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Empresária e lobista é investigada ao lado do filho do presidente Lula em três inquéritos no STF; em entrevista à CNN Brasil, ela relatou ameaças, contestou declarações do ainda presidente Lula e afirmou estar disposta a colaborar com as autoridades



Entrevista Exclusiva de Roberta Luchsinger ao Primetime da CNN Brasil - Foto Reprodução


A empresária e lobista Roberta Luchsinger, de 41 anos, afirmou que pretende firmar um acordo de delação premiada com as autoridades responsáveis pelas investigações que envolvem suas relações com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida aos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco, da CNN Brasil, a empresária declarou que está disposta a apresentar informações sobre pessoas com quem manteve contato, encontros que afirma ter presenciado e acontecimentos que, segundo ela, não podem ser esclarecidos apenas pela análise das mensagens extraídas de seu celular.


Assista a entrevista na íntegra abaixo: 


Íntegra da entrevista: 


Roberta Luchsinger: Oi, Iuri, Débora, obrigado pelo espaço. Realmente tem muito tempo que a imprensa vem querendo falar comigo, e eu tenho colocado aí um limite desse diálogo. Concedi algumas entrevistas, mas nunca realmente vim a público a falar. Eu tenho buscado a responder todo esse processo desgastante, todo esse inquérito dentro da seara adequada, que é a seara jurídica, cumprindo, aí, todas as decisões judiciais que me foram impostas. Mas por que eu decidi falar agora? Bom, primeiro porque eu me sinto muito confortável falando com vocês devido toda a seriedade do trabalho, né? Que vocês fazem na mídia. E principalmente por você ser uma mulher e ser mãe. E isso é o que me levou a falar nesse momento. Porque durante todo esse processo eu venho sendo imensamente agredida. Imensamente agredida. Porém, no momento em que o presidente da República foi ao ar para mais de 200 milhões de telespectadores falar que eu era uma pilantra por uma, duas, três vezes. Eu tive que tomar a minha própria defesa. Porque eu venho sendo constantemente ameaçada de morte, eu venho sofrendo reprimendas, eu venho tentando ser calada, eu venho sofrendo o que os olhos atrás dessas câmeras não veem. E eu estou fazendo isso pelas minhas duas filhas, pela segurança das minhas duas filhas. Durante todo esse processo ao qual o presidente da República tem me equiparado com o maior criminoso da atualidade, que é o Daniel Vorcaro, eu tenho o dever de proteger minhas filhas. Todo santo dia eu sofro ameaça de morte, as minhas filhas sofrem ameaça, as minhas filhas sofrendo bullying. Porque, a partir do momento que um presidente da República marca na minha testa que eu sou uma pilantra, ele abre, ele dá um apito para todo esse tipo de agressão. Então, todas essas ameaças já estão dentro do inquérito. Os meus advogados já levaram isso às autoridades responsáveis. Porém, quero aproveitar essa oportunidade que vocês estão me dando justamente para deixar isso de uma maneira muito pública, muito notória. Todas essas ameaças avassaladoras. Se eu abrir meu celular, por dia, eu recebo em torno de 50 ameaças de morte. As minhas filhas tiveram as redes sociais invadidas, dizendo que seriam estupradas, esfaqueadas. São coisas pesadíssimas. Débora Bergamasco: Mas como é que essa entrevista ajuda a senhora a ter decidido falar?


Roberta Luchsinger: Ajuda pelo seguinte, como o presidente usou da máquina pública, usou de um horário nobre, de espectadores, para me agredir, para me chamar de pilantra e para me colocar como um boi de piranha ali, fazendo um X na minha testa. “Ataquem, está aí, é pilantra, é isso”. Eu tenho que também publicizar a minha defesa. Então, assim, a gente sabe que a justiça é lenta. Mas hoje com as redes sociais, com a velocidade das coisas que se tornam, eu queria deixar colocado, classificado que qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas vai ter a digital do presidente da República, vai ter a mão do presidente da República, vai ter o X de sangue que ele fez na minha testa. Porque ele me chamou de pilantra, eu não sou pilantra, eu sou uma mulher sozinha. Com duas filhas, que está enfrentando um processo que eu tenho certeza que 1% não aguentaria o que eu estou passando. Com duas filhas, com gente tentando me calar, com Justiça me bloqueando todos os bens possíveis e inimagináveis. E eu cheguei no meu limite. Que se eu não defender a minha integridade e das minhas filhas, ninguém vai defender. Um presidente que usa a máquina pública para pegar uma cidadã que está sendo investigada ainda e já me condena a todo tipo de crime como ele fez. Por uma, duas, três vezes. Ele está me jogando dentro de um círculo com leões para eu ser devorada. E junto comigo eu tenho duas filhas. Uma atitude canalha, uma atitude covarde, uma atitude de mau caráter, que é o que ele é, quando ele faz isso. E eu tenho que vir a público, sim, me colocar. Eu estou sofrendo o que ninguém imagina. Iuri Pitta: Roberta, você tem colocado essa sensação de injustiça e de pré-julgamento, mas há investigações em curso. A primeira delas no âmbito das investigações do INSS, pelas suas relações com o empresário Antônio Antunes, que ficou conhecido como careca do INSS. E pelas suas relações com o filho do presidente Fábio Luiz Lula da Silva. Queria começar do começo sobre esta primeira investigação à qual você responde com todos os limites de sigilo que são impostos pela decisão judicial. Mas você já admitiu que foi você quem apresentou o filho do presidente para o empresário. Por que foi feita esta apresentação, o que disso é o seu trabalho e qual foi a remuneração por essa primeira apresentação e o que se desenvolveu depois disso?


Roberta Luchsinger: Yuri, muitos desses dados que você está colocando, eles estão dentro do inquérito que corre sob segredo de justiça, mas já vim a público outras vezes e também já vazaram algumas partes do meu depoimento, algumas partes do inquérito. Eu conheci o Antônio Camilo para prestar um serviço para ele. Eu não conheci o careca do INSS. Quando eu o conheci, eu conheci o empresário Antônio Camilo. Um empresário do ramo da saúde, do ramo de farmacêutica, do ramo… Um empresário de sucesso em todo o circuito nacional. Eu apresentei ele ao Fábio Luiz, vulgo Lulinha, em caráter social. Fábio, Antônio, enfim, nada para negócios. Se após aquilo se desvencilhou em algum negócio, não foi comigo, foi entre eles. O que eu fiz para o Antônio foi uma prestação de serviço, buscando viabilidade de uma readequação, de uma reestruturação das RDCs da Anvisa, que eram muito antiquadas e só permitiam que o canabidiol fosse, no Brasil, comercializado via medida judicial, que até hoje é a RDC 660. A mídia e, enfim, vazamentos, trechos falam que era sobre uma venda de canabidiol para o Ministério da Saúde. Isso não existe, porque o Ministério da Saúde só adquire via demanda judicializada. O meu trabalho com o Antônio foi a revisão de uma RDC para trazer melhorias e efetividade para o sistema de saúde dentro da área farmacêutica no Brasil. Iuri Pitta: Mas onde que entra o filho do presidente nessa questão? E depois, já quero te perguntar, porque houve também o envio de uma minuta de um contrato para o chefe, o então chefe de gabinete da Presidência da República. Mas, primeiro, onde que entra Fábio Luiz Lula da Silva nesta discussão de normativas da Anvisa?


Roberta Luchsinger: Eu nunca discuti normativas da Anvisa com Fábio Luiz. É, Brasília, como vocês bem sabem, é um local onde todo mundo se conhece. Você vai num jantar, você vai numa festa, você vai num encontro, as pessoas estão circulando, uma apresenta a outra. O Antônio era o meu cliente, o Fábio Luiz, meu amigo. E nenhum desses encontros, que eu também não sei me precisar, não sei dizer ao certo, não me lembro agora onde foi, como se deu, mas foi encontro social, se apresentaram, se conheceram. E trocaram o contato e daí em diante não tenho eu como te falar o que eles fizeram, o que eles deixaram de fazer. Isso daí, inclusive, conta dentro do inquérito. E uma injustiça e crueldade muito forte que vem colocando como se eu fosse operadora de algum esquema de INSS, coisa que eu nunca fui, nunca soube e, quando eu tive conhecimento, Antônio e eu rompemos ali o contrato devido a tudo que estava acontecendo ali com ele. Eu não tive conhecimento prévio disso, eu tive conhecimento quando a mídia noticiou. E, obviamente, ele levou de forma pública, até mesmo por questões de compliance da empresa dele com a minha.


Débora Bergamasco: A gente sabe que em Brasília, nos órgãos públicos, chegam milhares de pedidos de revisão, de contato, de RDCs e tudo mais, de atualizações. O fato de Antônio Camilo ter se aproximado de Lulinha facilitou, cortou um caminho para conseguir que esse tema fosse avaliado, tirado lá da pilha e avaliado?


Roberta Luchsinger: Olha, aí eu acho que a empresa tem que falar com o Lulinha. O meu serviço foi prestado pro Antônio Camilo.


Débora Bergamasco: Mas que você saiba…


Roberta Luchsinger: O que eu sei é o que toda a imprensa sabe. Ficaram amigos, que viajaram etc. Isso é até onde eu sei. O que está no inquérito é segredo de justiça. Não sei o que consta no inquérito ali que tem o Fábio, o Antônio. Eu sei o que consta no meu. E o que consta no meu inquérito, que já é público isso, é que a Polícia Federal deixa muito claro que eu, Roberta, não tenho absolutamente nada a ver com esse escândalo do INSS. Tanto que existe, dentro da Operação Sem Desconto, uma sub-operação, digamos assim, que é onde investiga a relação do Antônio Camilo comigo devido à Anvisa, Ministério etc, que também até agora corre em segredo de justiça. Eu venho colaborando de forma muito efetiva e pretendo sempre, todas as vezes que requisitada, colaborar ainda mais. Iuri Pitta: E é no âmbito dessa investigação que aparece aquela mensagem, que Antônio Camilo faz menção ao “filho do rapaz”. Você, pelo que você conhece, pelo seu trabalho, quem é este filho do rapaz?


Roberta Luchsinger: A mensagem não é para mim. A mensagem é do Antônio para o interlocutor dele. Então eu não posso responder nem pro Antônio, nem pelo interlocutor.


Iuri Pitta: Qual é a sua hipótese?


Roberta Luchsinger: A hipótese que eu tenho é uma conversa do Antônio com o funcionário dele, e quando você vê o restante de toda a mensagem, tem várias outras referências, várias outras colocações que ele faz com o nome de outra pessoa, é um diálogo dele com o funcionário dele. Eu não tenho como formar uma opinião através de algo que é um recorte. Enfim, eu não posso ser leviana de falar algo que não foi enviado para mim. Isso daí, quem vai poder desvendar esse mistério é a Polícia Federal, que está investigando. Inclusive, o presidente fala que não vai bloquear inquérito, que a polícia está aí para investigar. Mas é um termo tão simples que acho que a polícia, se for a fundo, vai chegar ao filho do rapaz, né?


Débora Bergamasco: Agora, o seguinte, o presidente Lula falou publicamente que o Fábio Luiz, Lulinha, filho dele, nunca sentou com ministro do governo dele. Você estava sempre com o Lulinha, inclusive em Brasília. Você já presenciou Lulinha sentado com o ministro de governo? Roberta Luchsinger: Inúmeras vezes. Débora Bergamasco: Você pode detalhar?


Roberta Luchsinger: Eu não vou detalhar porque a gente tem uma linha, por mais que eu queira colaborar com o trabalho de vocês. Eu também tenho uma decisão judicial a ser cumprida. Mas é público, é notório que o Fábio Luiz, o Lulinha, inúmeras vezes esteve com ministros. Inclusive viajou para a casa de ministro, ministro Camilo, no Ceará, inclusive. Então o Lula é um grande mentiroso quando ele fala. “Ela é uma pilantra, mas meu filho, não. É, meu filho jamais sentou com algum ministro”. O filho dele sentava semanalmente com o ministro, seja pra trocar figurinha, seja pra trocar qualquer outro tipo de diálogo. Eu sentava com ministros pra discutir pautas relativas, pautas firmes, relativas à política pública. E isso tá aí no meu celular, que toda hora é vazado os dados brutos.


Débora Bergamasco: E a senhora já sentou como profissional para discutir políticas públicas, como a senhora está dizendo, a senhora, ministro e Lulinha também discutindo política pública?


Roberta Luchsinger: Com certeza ele já participou, ele ficava comigo junto o tempo inteiro, como é de sabença geral, com certeza em algum momento ele já ouviu alguma discussão, já ouviu alguma troca de ideia, principalmente do tema que eu mais batalhei, que foi a questão do canabidiol no Brasil. Então, provavelmente, com certeza, ele já participou, já ouviu e já esteve ali presente. Agora, o que ele conversa com outros ministros, que o pai diz que não, que nunca sentou, que ele [Lula] mente em rede nacional, numa entrevista, dizendo: “ela é a ruim. Meu filho é um santo”. Aí eu já não sei. Eu só sei que Lula continua mentindo e sendo mau caráter, aproveitando da imprensa nacional para induzir o telespectador, o eleitor, seja lá como ele queira chamar, ao erro. Iuri Pitta: Lulinha já te descreveu ou relatou como foi alguma dessas conversas com qual ministro, em que momento aproximadamente que você não esteve, mas que fazia parte dos negócios que vocês faziam, da atuação profissional de vocês?


Roberta Luchsinger: Eu não tenho atuação profissional com o Lulinha, isso a mídia fala muito, as pessoas, criou-se em volta de mim essa história, a Roberta tem acesso, tem poder, a Roberta tem isso porque ela é sócia do Lulinha. Quando falam tudo isso, de todo esse poder, de todos esses bilhões, de todo esse acesso, de todo esse contrato. Eu digo, bom, então eu não sou sócia do Lulinha, eu sou sócia do Lula. Porque quem tem a autoridade que eu tinha, que dizem, quem tem o acesso que eu tinha, quem é colocada hoje como a maior inimiga do Brasil hoje, então, realmente, ou eu ocupava o lugar do Lula ou era sócia do Lula, não do Lulinha.


Débora Bergamasco: Mas só para eu entender, por que a senhora participava de reuniões com ministros e Lulinha do seu lado, eventualmente? A senhora falou que já aconteceu. Não sempre, nem toda vez, mas já aconteceu. Por que ele estava do seu lado, reunido, discutindo políticas públicas? Quais? Por exemplo, a história do canabidiol, que era de interesse dele, público e notório, que a gente já sabe.


Roberta Luchsinger: Sim, demonstrou muito interesse no canabidiol.


Débora Bergamasco: Mas ele já discutiu com o ministro? Já sentou em reunião?


Roberta Luchsinger: Não sei te falar.


Débora Bergamasco: Mas na sua presença?


Roberta Luchsinger: Na minha presença, não. Demonstrou muito interesse, sim, no assunto, tanto que é público, notório, que ele viajou para conhecer fábricas etc. Porque ele estava comigo o tempo inteiro. Embora eu seja pilantra na visão do pai dele, para ele eu não sou a pilantra. Para ele, eu sou uma amiga, ou era, eu já não sei. E ele estava ali diariamente do meu lado, o quarto dele na frente do meu, a mesma casa, o mesmo ambiente. Na casa de Brasília, viagens entre família, filhos etc. Sempre juntos, não foi uma vez, não foi duas, não foi três, não foi quatro. Débora Bergamasco: A senhora recebia lá na casa de Brasília ministros também?


Roberta Luchsinger:  Recebia. Eu nunca procurei muito ninguém. As pessoas me procuravam.


Débora Bergamasco: Tipo quem?


Roberta Luchsinger: Inúmeros ministros, ministros de Educação, ministro da Saúde, o ex-ministro, o atual ministro, Léo, ministro de comunicação.


Débora Bergamasco: Mas quais, porque foi mudando, né?


Iuri Pitta: Só para ser objetivo, quais nomes?


Roberta Luchsinger: Frederico, da Comunicação. O Barchini, da Educação. Como é público e notório, eu me aconselhava, buscava muito entender como era o funcionamento dessas questões do canabidiol, que é muito confusa, dentro da Anvisa e dentro do Ministério, com o Berge, o próprio Marcola, inúmeros outros ministros.


Débora Bergamasco: O ministro Camilo…


Roberta Luchsinger: O Fábio tinha relação com o ministro Camilo, não eu.


Iuri Pitta: E ele te contou o que era essa relação, ou o que eles conversavam?


Roberta Luchsinger: Nunca me contou, e também nem cabe a mim perguntar.


Débora Bergamasco: Mas aí quando a senhora fala que essas pessoas, que a senhora nomeou alguns aqui, te procuraram. Para quê?


Roberta Luchsinger: Me procuravam para pedir favores, para conversar, para pedir ajuda.


Débora Bergamasco: Mas que tipo de favor, por exemplo?


Roberta Luchsinger: Tive assessora que já pediu para ficar na minha casa, que faria uma cirurgia. O outro já pediu minha ajuda que precisa pagar uma conta. O outro, o que você acha desse projeto e tal. Eu também procurava, sempre às vezes com alguma questão profissional para discutir, dentro de total institucionalidade e isso, assim, o que não falta, eu digo, é prova, porque o meu celular, os meus sigilos, tudo está escancarado para a polícia e para, infelizmente, uma parte da mídia que vai usando aquilo em trechos e divulgando.


Iuri Pitta: Para a gente, então, de novo, em nome da objetividade, Roberta... ministros, você citou o nome de alguns, que tipo de favores que esses ministros, até pelo papel que eles têm, público, institucional, que tipo de favores que eles te pediram? Você mencionou o atual ministro da Educação, o atual ministro das Comunicações, quais outros ministros e quais favores que eles te pediram?


Roberta Luchsinger: Muitos pediam apoio, principalmente em relação ao chefe de gabinete. Acho que devido à dificuldade que a maioria dos ministros têm hoje ao presidente, ou tinha naquela época, eles recorriam muito ao Fábio, a mim, para que ajudasse com Marcola a conseguir uma agenda ou a conseguir prioridade em algum projeto. Iuri Pitta: Quer dizer, um ministro de Estado, precisando discutir quaisquer questões que fossem com o Presidente da República, precisavam passar por você para conseguir ter acesso ao presidente?


Roberta Luchsinger: Eles não precisavam passar por mim, porque eles, óbvio, como ministro de Estado, têm a relação direta com o presidente da República. Dada a dificuldade e dada a amizade, a intimidade, sim, eles pediam ajuda, às vezes não conseguiam falar com Marcola, pediam ajuda e assim era, esse jeito meio, talvez até bagunçado e amador no agir.


Débora Bergamasco: O presidente Lula sabia que você ajudava a fazer esse contato? Ajudava a conseguir essas agendas?


Roberta Luchsinger: Eu acho que um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele, ou ele é um mentiroso ao dizer que não sabe, ou ele está senil, esclerosado, como disse o Ciro Nogueira outro dia. É obrigação do presidente da República cuidar do país, cuidar da própria agenda.


Débora Bergamasco: Mas ele sabe que você existe?


Roberta Luchsinger: Ele sabe que eu existo. Óbvio que ele sabe que eu existo.


Débora Bergamasco: Agora…


Roberta Luchsinger: Eu acho que ele sabe que eu existo há muitos anos. Eu não nasci agora. Então ele sabe que eu existo há muitos anos.


Débora Bergamasco: Qual era a sua relação com ele e o que ele sabe sobre o seu trabalho e o seu acesso?


Roberta Luchsinger: Eu acho que a principal coisa que ele sabe, que ele tem certeza, é que a melhor amiga do filho dele sou eu. O filho dele vivia comigo, pra cima e pra baixo, para todo lado. Como ele não vai saber? Se eu tô no Natal, Ano Novo, Carnaval, festa, Roberta ali, Roberta aqui... como o presidente não vai saber? Então, ele esqueceu, talvez, vou te dizer novamente: acho que o presidente pode estar esclerosado e não se lembra, isso é normal, ele tá com 80 anos. Ele pode estar com alguma senilidade, ele não lembra. Ele não lembrava nem do Bolsa Família, ele não sabia, não lembrava. Ele nunca sabe de nada do entorno dele. Débora Bergamasco: Mas só para eu entender, por exemplo, alguns ministros, assessores te pediam um favor. Inclusive você mencionou, às vezes, para pagar uma conta. Depois queria confirmar se está falando sobre o Marcola ou se tem outros também que te pediram.


Roberta Luchsinger: Só o Marcola.


Débora Bergamasco: Só o Marcola. Por outro lado…


Roberta Luchsinger: E, também, Débora, não te cortando, mas não vejo nenhum problema, porque existe uma linha muito tênue entre a amizade e entre, de fato, o cargo que ele ocupava. Isso, pra mim, é um amigo me chegando e me pedindo um favor. Talvez possa ser, da minha parte, amador ou imoral, não sei a palavra. Eu não sei aonde isso vira crime, porque um pedido de um amigo, um pedido pessoal que eu atendo. Eu não sei se isso é crime, mas pelo fato dele ser...


Iuri Pitta: Nunca houve nenhuma contrapartida da partida do Marcola?


Roberta Luchsinger: Nunca houve nenhuma contrapartida, eu não tenho um contrato público. Eu nunca tive, em toda a minha vida. A minha vida foi revisada, revirada, revisada, eu não tive um contrato público.


Débora Bergamasco: Sim, no seu nome. Mas, por exemplo, você era procurada. Você é empresária, não é de hoje, tem mais de 10 anos nesse ramo e não é vindo só de governo Lula, já tem essa atuação. Roberta Luchsinger: Imagina, eu sempre atuei na área de saúde.


Débora Bergamasco: Tá, mas então, assim, só para a gente refazer. Os ministros te procuravam para ajudar em agenda, em prioridade de projeto, como a senhora colocou: “Olha, dá uma prioridade nesse projeto aqui que é importante para o ministério e não está conseguindo despachar para o presidente. Então, é esse caminho”. Por outro lado, a pessoa que é dona dessa agenda recebeu o dinheiro de você porque chorou as mágoas que estava sem dinheiro, que estava em dificuldade, não sei o quê. E você falou que pela amizade você ajudou. E que não foi uma parcela, ele mandou um boleto, como dizem as investigações, que isso já é público e vazado. Mas entende, quando a gente fala assim, uma contrapartida, uma coisa é que não tem contrato público. Outra coisa é, você ajudava os ministros a conseguirem uma agenda com uma pessoa que a senhora ajudou financeiramente. A minha pergunta é: o que você ganhava em ajudar os ministros?


Roberta Luchsinger: Não ganhava nada, ajudava por ajudar um projeto de país. Eu sempre gostei muito desse envolvimento com a política, sempre me manifestei muito sobre isso, não ganhava nada. Aliás, eu mais perdi isso tudo do que ganhei, porque quem perdeu dinheiro fui eu, quem está escorraçada por um presidente da República sofrendo todo tipo de retaliação e ameaça, inclusive, vou te falar, após essa entrevista, você pode ter certeza que de 100 ameaças, de 200 ameaças, vão virar 1000. Porque na hora que ele me coloca como a pilantra, ele vai reafirmar, “olha como ela é pilantra, olha como ela é vingativa. Foi lá falar de mim, do meu filho que é um santo”.


Débora Bergamasco: Mas a gente está falando dos ministros que te procuravam, né? Porque daí não é só uma ponta.


Roberta Luchsinger: Aí você tem que fazer o quê? A mesma coisa que vocês fazem comigo, buscar os ministros e perguntar por que eles me procuravam, porque hoje ninguém me conhece. Você tem agenda pública, você tem foto, você tem mensagem, eu nunca me opus em falar nada, inclusive vou fazer uma delação premiada. Porque não serei eu o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. Então, assim, o que eu fiz, se for crime, eu vou responder. Na minha cabeça não existe crime. Se for crime, eu vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal. Que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele. Mas sobre os outros a gente vê que é o contrário. Porque eu, como investigada por ele, fui condenada. Um mau caráter, um canalha, um covarde, com uma mulher que tem duas filhas e nunca fez nenhum mal, nem para ele e nem para esse país. Porque se você pegar a minha vida e acompanhar, a minha vida é a mesma coisa. A polícia pegou lá os meus ganhos iguais, o meu sigilo. A minha vida é a mesma. Onde eu sempre frequentei, eu continuo frequentando. O que eu sempre comprei, aonde eu sempre fui, a minha vida continua a mesma, transparente. Agora, os ministros precisam se explicar. Hoje ninguém me conhece, por que não me conhece? Se na hora de ir na minha casa ia. Se na hora de se hospedar, ou na hora de me pedir algum favor, algum conselho, iam? E agora não me conhecem, por quê? Por que eu sou a pilantra?


Iuri Pitta: Roberta, para deixar claro também, objetivamente, sobre isso...


Roberta Luchsinger: Inclusive, mais um detalhe, eu, se fosse o presidente da República e tivesse um compromisso realmente com a verdade, eu falava: “opa, peraí, vem cá, quem sentou com essa pilantra”? “Eu sentei, eu sentei, eu sentei”. “Então, ó, afasta, afasta, afasta. Vão se defender, vão se explicar, isso tá mal explicado”. O que ele fez? “Ah, esse é um santo, esse é um santo, esse é um santo. Ela não. Ela é a pilantra. Ela ofereceu a maçã envenenada para os meus bons ministros”. Ou seja, um homem desse não pode falar sobre feminismo, sobre feminicídio, sobre machismo. Porque ele é o próprio machista. Ele preservou todos os homens e julgou a mim, a única mulher, aos leões. Iuri Pitta: Roberta, você falou que está disposta a fazer uma colaboração com a justiça se o que você, nas investigações que você está respondendo, culminarem com algum tipo de punição a você ou alguma condenação. Que tipo de elementos que você poderia levar nessa colaboração? Claro que a gente sabe que não dá para adiantar tudo, mas quais questões que você acha que pode colocar? E aí já pergunto, por exemplo, você detalharia o que foram aqueles pagamentos para o Marcola? Que é, talvez, dentro dessa linha de pessoas que, pela relação com você, é a que saiu da chefia de gabinete da Presidência, não foi para a campanha como estava previsto para ir e que alegou que era um empréstimo pessoal. Mas por que ter feito esse empréstimo pessoal da forma como foi feito? Com pagamento de boletos, com presentes como joias e não, por exemplo, uma transferência bancária do valor e depois ele te pagar em parcelas. E por que depois esse empréstimo da parte dele foi pago da forma como ele disse, de forma imediata ali, já quitado? Roberta Luchsinger: Iuri, isso tudo que você está colocando, grande parte disso já está dentro do inquérito ao qual sou investigada. E outra parte, eu não posso [falar], porque existe uma decisão judicial que me proíbe de falar sobre elementos investigativos. Decisão judicial a gente cumpre, eu não posso descumprir. Até porque eu tenho medidas cautelares que, se quebradas, eu vou presa. Então, uma medida descumprida acaba levando a essas consequências judiciais. Mas assim, tudo que a Justiça tem me perguntado, ela tem conseguido. Todos os meus sigilos a Justiça já tem acesso, a todo o meu celular, o WhatsApp, o que quiser. A minha vida, simplesmente, hoje, é um livro aberto. Embora saiam esses vazamentos que eu julgo como vazamentos criminosos, ilegais, porque são tirados do contexto, a polícia, como tem todo esse teor bruto vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém, pode ser presidente da República, que, a meu ver, é um grande de um mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade. E a verdade, ela tem que ser dita, doa a quem doer. Em todo momento, eu tenho colaborado falando exatamente os fatos conforme aconteceram. Questão Marcola, está dentro dos autos, está dentro do inquérito já como ele foi requisitado e como foi devidamente explicado lá dentro. Eu não posso pegar e dizer o que está lá dentro, mas o inquérito é vazado. A mídia inteira tem.


Iuri Pitta: Sobre o filho do presidente, você falou que não pouparia o filho do presidente nem o presidente. Você teria elementos a mais para detalhar, por exemplo, da vida do filho do presidente na Espanha? Que você, inclusive, ajudou nesta mudança dele do Brasil para a Espanha? Roberta Luchsinger: Isso no âmbito judicial, que é a seara adequada, é onde eu vou falar. Mas teria, sim, elementos factíveis. Ao contrário do que diz o presidente, que fala que eu sou uma pilantra que conta história. Não é isso que ele falou? A gente pode até depois pegar para ver. Quando eu falo alguma coisa é porque eu tenho como provar aquilo que eu estou falando. Eu ajudei sim, eu participei, eu estive ali. E agora eu te falo, o presidente da República falar que não sabia o que acontecia na vida do filho dele, que o filho é um santo... é um mentiroso.


Iuri Pitta: Você ajudou financeiramente o filho do presidente nessa mudança financeiramente? Com recursos, com dinheiro?


Roberta Luchsinger: Não, na mudança não ajudei financeiramente. Ajudei em todo sentido de viajar, de disponibilizar meu tempo, de buscar escola, buscar apartamento, de estar envolvida nesse processo da mudança. Inclusive, eu cheguei a ter um apartamento em Madrid, alugado também. E depois me desfiz desse apartamento. Era um projeto que eu tinha de querer ter um apartamento fora, sempre tive isso. Já foi falado em diversas conversas que eu tinha por objetivo, em determinado momento, ir para a Suíça. E isso foi muito distorcido pela mídia. A minha filha, o pai mora na Suíça, eu venho de família suíça. E a minha filha mais nova passou em provas em escolas suíças, e ela quer estudar na Suíça. Isso era um projeto meu de vida, estar com a minha filha lá, a minha filha menor. Já fazia parte da minha vida isso. E isso é colocado hoje de uma forma muito irresponsável, como se eu quisesse fugir de uma investigação em curso e ir para a Suíça. Eu nunca fiz isso. Isso era um projeto meu de lá e durante toda a investigação, mesmo antes das medidas cautelares que foram em dezembro, que teve busca e apreensão aqui nesse apartamento que vocês estão, eu busquei colaborar com tudo que me foi pedido. Eu nunca fugi, eu nunca saí, eu nunca fiz um pedido para o ministro para ir a Brasília, para ir a Rio ou para ir visitar o pai das minhas filhas. Eu fiquei aqui, de peito aberto, sendo metralhada diariamente por governo, por oposição, por tudo.


Débora Bergamasco: Roberta, você mencionou que estaria disposta, se a maneira que você atuou for considerada como crime, você estaria disposta a fechar uma delação premiada, se houver interesse da Polícia Federal, do Ministério Público, enfim. Porém, a minha pergunta é a seguinte: você disse que a sua vida é um livro aberto, no seu WhatsApp, no seu telefone, nas suas contas, etc. O que você teria para acrescentar?


Roberta Luchsinger: O que eu teria para acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, a vida da gente é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu. E isso, no momento que a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe um trâmite legal para isso, eu estarei lá. Pronta para colaborar. Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, eu não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim, contra mim e contra duas filhas. Eu não sei o que vai ser de mim e dessas duas meninas amanhã. Eu tenho todas as piores medidas cautelares que você possa imaginar em cima de mim, que atacam direto a vida das minhas filhas. A minha filha sofreu acidente de carro em São Bernardo do Campo, há duas semanas e eu sequer pude ir lá, porque eu não posso sair de São Paulo. Até agora, é um mistério, a polícia está investigando esse acidente. Eu não sei o que aconteceu, eu não pude estar lá. Então, assim, na minha cabeça e no meu coração de mãe, eu vou fazer o que eu tiver que fazer para proteger minha filha, porque não vai ser só o presidente que vai proteger o filho dele. Eu vou proteger as minhas filhas também.  Iuri Pitta: Essas informações que você poderia oferecer nessa colaboração à justiça poderiam levar à abertura de investigação contra o presidente ou o filho do presidente, já que tem três investigações em aberto, levar à constatação de crimes da parte do filho do presidente?


Roberta Luchsinger: Acho que o presidente tem que conversar melhor com o filho dele. Acho que o presidente tira muita conclusão da vida alheia, mas da vida dele, do entorno dele, ele resguarda, ele protege. Então ele fala, a polícia vai investigar a vida do meu filho, ele está lá pronto para colaborar. Vem aqui, pega um avião, estou aqui para colaborar. Eu, dentro dos meus inquéritos, fiz inúmeros requerimentos ao ministro, que eu queria falar, que eu queria prestar depoimento. Porque eu só tenho meu nome. Eu não tenho pai presidente, eu não tenho amigo de pai, eu não tenho nada. Eu tenho o meu nome. E o que estão fazendo comigo é destruindo o meu nome, destruindo a minha vida inteira. Você sabe o que é estar desde dezembro dentro de uma casa, tendo que lutar contra uma máquina pública que quer te calar?


Débora Bergamasco: O que é que quer te calar? Da onde? Baseado em quê?


Roberta Luchsinger: Baseado em quê? O que quer me calar? A partir do momento que a gente vê, tudo que o presidente colocou contra mim, ele está me coagindo. Um presidente da República te chamar: “Débora, você é uma pilantra”. Quantos dias você dura no seu emprego? Quem vai te contratar? Eu perdi todos os meus contratos. O presidente da República, através da irresponsabilidade dele e do mau caratismo dele, me fez perder clientes que eu tenho há mais de 10 anos de trabalho sério. Porque quem você perguntar dos meus clientes vai te falar. Ela trabalhou, ela entregou, ela se dedicou e tudo mais. Agora, aonde está o crime nisso? Com o que o filho dele trabalha? Ele já foi perguntar? Pergunta isso para o presidente. Ele sabe responder? Ele não sabe. Então, se ele quer emitir opinião sobre a minha vida, a minha moral e a minha conduta, ele tem que começar pela casa dele.


Débora Bergamasco: Deixa eu te perguntar o seguinte. É importante o ponto que você acaba de colocar, porque você avalia que, na sua percepção, toda ação que você fez ali dentro do Palácio do Planalto, independentemente de fora dos seus negócios... na sua visão, você disse algumas vezes aqui nessa entrevista que não vê como crime. Porém, você, na sua percepção, já não participou, mas assistiu a movimentos que justificariam uma delação premiada? Porque mesmo que você não tenha participado mas tenha presenciado, algum fato que interessaria a uma delação premiada, portanto, não seria legal? Porque numa delação premiada, não é uma questão de imoralidade, é uma questão de ilegalidade que você tenha presenciado. Roberta Luchsinger: Quem vai avaliar isso vão ser os ministros relatores dos casos. Se é imoralidade ou não, não sou eu. Se o ministro ou se a Polícia Federal chegar a uma conclusão de “olha, a Roberto ter pagado uma conta do Marcola é crime”. Ou “não, não é crime. É imoral, mas não é ilegal”. Isso não sou eu que vou definir. E numa delação, quem define o que é colaborativo ou não, também não sou eu. É a polícia. Uma delação premiada, ela não é uma delação midiática, onde eu vou estar aqui, olha, Débora, eu vou falar isso, isso e isso. Não. É algo que vai vir entre a Justiça e eu, por isso que é o Instituto da delação.


Débora Bergamasco: A gente já obteve algumas informações de que o Fábio Luiz, Lulinha, teria participado e ajudado a fazer uma intermediação, uma interlocução com uma empresa, uma construtora, para fechar contratos dentro do governo. Eu queria saber se você tem essa informação.


Roberta Luchsinger: Tenho essa informação, tenho essa informação, sei dessa história. Como muitas pessoas sabem dessa história.


Débora Bergamasco: A gente está falando da Mota-Engil? Roberta Luchsinger: Exato, não estou dentro dessa história, mas conheço essa história, inclusive.


Débora Bergamasco: Qual foi a participação do Lulinha nessa história?


Roberta Luchsinger: Bom, até onde sei, quem se tornou presidente dessa empresa no Brasil é o vizinho dele. Amauri, Amauri Pinha, vizinho do Fábio.


Débora Bergamasco: Vizinho lá na Espanha?


Roberta Luchsinger: Não, vizinho aqui no Brasil, onde ele reside aqui no Brasil. Então, a mídia faz muito má coisa comigo, que é interessante. Em todo lugar que eu frequentei na minha vida, Brasília, independente do governo que fosse, eles sabem exatamente quantas vezes eu entrei, a hora que eu entrei, com quem eu falei, através do acesso da informação. Sabe o que me chama a atenção? Vários personagens envolvidos com Lulinha, com Lula, com todo mundo... o único personagem que todo mundo vai atrás sou eu. Da minha vida sabem tudo. Agora, quantas vezes esse presidente dessa empresa, Amauri Pinha, entrou no Palácio do Planalto, entrou no DNIT, entrou na Petrobras, entrou nos órgãos? É público, é dever informar. O governo tem que informar. Se você teve uma reunião e você perde o acesso, tem que informar. O governo tem que informar. Você teve reunião, você teve o acesso, ele tem que informar. Débora Bergamasco: Eu pronunciei o nome certo?


Roberta Luchsinger: Sim, Amauri Pinha e Mota Engil. E a EBC é o nome... no Brasil, o Amauri é o presidente.


Débora Bergamasco: Essa EBC que você está mencionando não tem nada a ver com a TV estatal, certo? São só as mesmas siglas.


Roberta Luchsinger: Isso, nada a ver.


Débora Bergamasco: Esse Amauri  Pinha, vizinho de Lulinha, tinha esse acesso? Esse acesso, que você saiba, era franqueado pelo Lulinha, pelo vizinho, pela amizade?


Roberta Luchsinger: Bom, o presidente, a todo momento, fala que o filho dele está à disposição da Justiça para falar. Por que não questiona? Ele tem que questionar o filho. Porque de mim ele não questionou, não nomeou, não falou que eu sou uma pilantra? Ele tem que questionar as outras amizades também. Porque eu não tenho como te dizer “olha, eles foram lá conversar isso e isso e isso”. Mas alguma conversa houve. É fato, tá aí, é publicizado isso, todo mundo sabe.


Iuri Pitta: O que você está nos contando é que você sabe que eles conversaram e que houve...


Roberta Luchsinger: São amigos, já esteve na minha casa com ele. O que eu estou dizendo é o que todo mundo sabe.


Débora Bergamasco: Mas aqui [em São Paulo] ou lá em Brasília?


Roberta Luchsinger: Lá em Brasília. O que eu estou dizendo é o que todo mundo sabe, é o que a mídia sabe. É o que todo mundo pergunta, tem que perguntar para ele. A polícia tem que fazer o trabalho dela igual fez comigo. A Polícia Federal veio aqui, revirou a minha casa com a minha filha de 15 anos aqui dentro, levou o que quis, o que não quis, pegou, bloqueou etc. Eu estou sozinha nesse inquérito? Por que não fizeram isso na casa do filho do presidente? Por que ele é filho do presidente, então nós não vamos fazer? Tinha que ter feito. Se ele é investigado, por que não foi feito? Só foi feito comigo. Por que comigo é feito todo esse trabalho da máquina pública?


Débora Bergamasco: Por que, Roberta?


Roberta Luchsinger: Eu queria saber o porquê. Por que comigo sim e com ele [Lulinha] não. Quando o presidente da República fala: “direitos iguais, a polícia vai investigar e vai fazer” ele continua mentindo. Um homem desse não pode continuar na presidência de um país. Ele mente em coisa pequena, mente em coisa grande, mente o tempo inteiro. E isso me dói falar porque eu já acreditei muito nele, defendi muito ele o tempo inteiro, lutei muito por ele quando ele estava, inclusive, preso. E eu acreditava na inocência dele, fui das poucas pessoas que se expôs de maneira pública e notória na defesa dele, inclusive contra o próprio Sergio Moro, que quem entrou com a ação do domicílio eleitoral fui eu. Débora Bergamasco: Quando ele queria se candidatar em São Paulo.


Roberta Luchsinger: Então quem mais lutou por ele fui eu. E o que eu recebi em troca? Nem um muito obrigada. Eu recebi em troca “pilantra, mau caráter, falastrona, Vorcaro feminino”. Eu recebi em troca uma comparação com o maior criminoso financeiro do Brasil. Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são tão pilantras como eu. Ou seja, o presidente tem que chamar e falar: “E aí?”.


Iuri Pitta: Sobre o filho do presidente. Você falou que a Polícia Federal, os investigadores, deveriam fazer o que fizeram contigo também com ele. Questionar, por exemplo, o conhecimento e o envolvimento dele com a assinatura de contratos públicos, e, eventualmente, algum tipo de vantagem sobre isso. Quando você fala que todo mundo sabe dessa relação, o que exatamente é que todo mundo sabe sobre essa relação?


Roberta Luchsinger: É o que a gente vê todo dia na mídia. São vazamentos que a gente acompanha. São matérias jornalísticas de empresários que tiveram, depois dessa amizade, ou empresas que tiveram lucros devido a essa amizade de não sei quantos mil por cento. Ou seja, não vão questionar isso para ele? Tem que questionar.


Iuri Pitta: O Filho do presidente?


Roberta Luchsinger: Óbvio. Por que vai só me questionar? O que eu vou dizer do que eu não sei? Nada. Assim, se ela não sabe disso, ela não está nesse contrato. Ela está nessa relação? Não está. Então, assim, pra quem tem que perguntar? Pra quem está, quem está nesse contrato? Tá Lulinha, tá não sei quem... tem que ir lá e tem que perguntar pra ele [Lulinha]. O presidente não pode proteger o filho dele por trás das câmeras, e na frente das câmeras falar: “meu filho está aí à disposição”. Débora Bergamasco: Mas por que você diz que ele [Lula] protegeria o filho por trás das câmeras?


Roberta Luchsinger: Porque é visível. Ele como pai...


Débora Bergamasco: Você acha que ele controla a Polícia Federal para não fazer o que fez contigo?


Roberta Luchsinger: Aí eu não sei te dizer se ele [Lula] controla ou se ele não controla. Isso eu adoraria poder te dar essa informação, mas isso daí eu não sei te dizer. Agora, quem indica a Polícia Federal é ele. São concursados. Se ele controla ou se ele não controla, eu não sei te dizer. Acredito que ele, como pai, como presidente da República, tem que separar o pai do presidente.


Iuri Pitta: Roberta, você fez menção a empresas que têm contratos com o setor público e você mencionou o nome de pelo menos uma delas: Mota-Engil. De que contrato exatamente a gente está falando?


Roberta Luchsinger: O que a mídia todo dia me pergunta, o que todo dia divulgam em relação ao nome de Fábio [Lulinha]. Já saiu, salvo engano, até em matéria da Veja ou algum outro [veículo]. Acho que, salvo engano, foi a Veja, mas posso estar errada. De construtoras cujo vizinho e amigo é o presidente. Tem contrato de R$ 2 bilhões no Brasil. Durante este governo, e a partir do momento em que o amigo, o vizinho, entra na presidência da empresa, isso é questionável. Isso tem que ser questionado. O Presidente da República tem que questionar. O Presidente da República tem que falar: “Vem cá, polícia ou equipe, quero ver o contrato dessa empresa. O que está acontecendo aqui? Estão falando muito sobre isso, eu quero ver”. Isso é uma coisa normal, o que não é normal é ele querer colocar tudo isso em cima de mim. Isso não é o normal. Como é isso, dois pesos, duas medidas?


Iuri Pitta: Mas você tem informação ou suspeita de irregularidade nesse contrato de R$ 2 bilhões?


Roberta Luchsinger: Eu não tenho que suspeitar de nada porque eu não sou investigadora. E eu também não tenho informação nenhuma privilegiada, porque eu também não sou um agente que faz parte desses contratos, nem tenho interesse nisso. O que eu estou dizendo é o que a mídia está dizendo, é o que está saindo toda hora. A cada momento a gente vê, igual vê meu nome, que conversou com o embaixador, conversou com o ministro, fez isso, fez aquilo. Eu estou disposta, sempre tive, a responder. Por tudo e qualquer imposição ou colocação que a justiça queira. E eu estou aqui de coração aberto, de corpo e alma, com ameaça. Sei que amanhã vou ter mais ameaça. Quero deixar mais uma vez claro que se alguma coisa acontecer comigo e com as minhas filhas, a culpa é do Lula. Ele me riscou como esse alvo. Débora Bergamasco: A gente está encaminhando para o fim, estamos quase concluindo a entrevista. Quero perguntar para você sobre o presidente Lula, esse “X” que a senhora está falando, mas só para a gente fechar esse assunto dessa empresa com contrato bilionário. Você não é investigadora, você não é agente federal, mas você convivia dentro da casa do Lulinha, do Fábio Luiz, você é muito amiga da família, isso é inegável. Então você tem uma vivência de dentro da casa dele. E eu te pergunto, nessa vivência que você tem dentro da casa dele, que é a terceira ponta dessa situação, e você viu essa amizade, eles foram na sua casa, esse Amauri Pinha que você disse, já esteve na sua casa. Com Lulinha, eles tratavam de negócios? Já trataram de negócios alguma vez que você tenha visto ou ouvido?


Roberta Luchsinger: Não sei, porque era em porta fechada e eu não fazia parte disso. Então eu acho que quando duas pessoas entram para uma reunião... alguma coisa elas estão tratando, porque se fosse algo social, sentava aqui, conversava, tomava um drink.


Débora Bergamasco: Mas já aconteceu deles irem na sua casa?


Roberta Luchsinger: Já fizeram, já tiveram reunião sim.


Débora Bergamasco: Na sua casa, sem a sua presença?


Roberta Luchsinger: Sim... não, com a minha presença, mas eu na sala, eles ali fazendo reunião. E não cabe a mim ouvir, se eu não for chamada, eu não vou escutar. Mas uma coisa que eu falo e eu repito, é essa história do presidente Lula a todo momento dizer que não sabe de nada. Que não viu nada, que não sabe de nada. Isso é uma coisa absurda, porque o presidente da República sabe sim de tudo que acontece no governo dele. Como não vai saber se ele é o presidente?


Débora Bergamasco: Mas isso acaba sendo uma ilação, dizendo que ele tem que saber.


Roberta Luchsinger: Ilação é o que ele fez comigo. O que eu estou dizendo é que o presidente da República, por obrigação e por dever ao cargo dele, tem que saber. A gente não está falando de um contrato ou de alguma coisa pequena, não é o cafezinho ali, a gente está falando de dinheiro público, de gasto público, a gente está falando de relações às quais, inclusive eu estou sendo investigada por manter relações com o ministro, com o filho, com o pai etc. Débora Bergamasco: Na sua relação com o presidente Lula, ele sabia? Porque eu quero entender qual era a sua relação ou o quanto ele sabia da sua atividade. Qual era a sua relação com o presidente Lula?


Roberta Luchsinger: A minha relação com o presidente Lula nunca foi uma relação profissional, uma relação comercial. Até porque ele é presidente da República. As relações que as pessoas de bem, como eu, e não pilantra, têm com o presidente da República são relações institucionais. E isso está mais que provado, visto e amparado por fotos, por matérias, por vídeos etc. Agora, o presidente dizer que não sabe o que acontecia na vida do filho. Ou na vida de ministro ou na vida de ninguém, isso é a maior mentira. O presidente da República sabe tudo o que acontece, o que se passa na antessala dele, ele tem que saber, porque se ele não sabe, ele não deveria estar no cargo. Se outra pessoa está ocupando esse espaço, que deveria ser o dele ocupar, ele não deveria ser presidente da República, porque a função dele é governar, ver o que está acontecendo. E se ele desconfia que tem algo acontecendo, não é para a mídia que ele tem que ir. É para a polícia relatar, falar, olha, alguma coisa de errada está acontecendo. Não é passar a mão, Marcolinha, como um filho. Por que pediu dinheiro emprestado? Como foi isso? Manda investigar. “Meu filho, não sei como vive”. Como vive o filho dele? É mais fácil me chamar de pilantra. É mais fácil pegar todos os apaixonados por ele, igual eu já fui um dia, e colocar contra mim. Que não tem como me defender diante da máquina pública. Aliás, isso é criminoso, a máquina pública usada contra um cidadão. Que é o que estão fazendo, usando dinheiro público, tempo público, para moer a minha reputação. Para cada vez mais eu sofrer retaliações, ameaças etc. Daqui a pouco minhas filhas vão definhar. E ele, de um mau caratismo de marca maior, está fazendo, não só comigo, mas também com duas meninas. Ele está tirando o provento da mãe que sustenta duas meninas e que ajudou muito, inclusive, a família dele. Vocês até me desculpem, Yuri e Débora, eu estou muito revoltada. Estou muito chateada porque... É muito difícil passar o que eu estou passando e passar sozinha e ser colocada como a inimiga número um de um presidente da República. Porque ninguém tem coragem de vir aqui e falar o que eu estou falando. Ninguém tem coragem de falar que ele é um mentiroso, porque ele é um mentiroso e eu provo que ele é um mentiroso. Prova maior disso é quando ele diz: “meu filho nunca sentou com ministro”. Mentira. Sentou, frequentou casa, viajou. Tem como provar? Tem como provar. Pede a companhia aérea para ver a viagem, para onde foi, o dia que foi. Faz igual fizeram comigo. O meu celular marca todo lugar que eu tive. Está lá na polícia. Lula é um mentiroso, está usando do mau caratismo e da canalhice contra uma mulher com duas filhas. Ele não pode, não tem o direito de falar que defende as mulheres. Eu não tive nenhuma hora apoio de nenhuma mulher ligada a ele. Pelo contrário, eu tive o coro de mulheres ligadas a ele me chamando de pilantra. Para não dizer que eu não tive um apoio, eu tive da nora dele, dizendo: “ela não é pilantra”. Aliás, eu tive as duas noras dele dizendo que eu não era pilantra, mas ele, não. Em momento nenhum dessa investigação a gente viu ele falar de homem algum. Em momento nenhum a gente viu envolvidos nesse caso sendo chamado de lobista, sendo chamado de bandido, sendo chamado de pilantra. Hora nenhuma. Agora, a todo momento, eu sou chamada de lobista, eu sou chamada de pilantra, eu sou chamada de vagabunda, eu sou chamada de tudo. E o presidente da República colocou milhares e milhares de pessoas contra mim. Eu não estou falando por falar. Eu estou falando de iniciativa própria, sem ter advogado, sem ter nada aqui do meu lado me consultando sobre o que eu posso falar, o que eu não posso falar. Se eu tiver que ser responsabilizada pelo que estou falando, serei. E provarei que estou falando a verdade, porque a verdade é uma só. E ele [Lula] colocou milhares de pessoas contra mim ao ponto de eu estar aqui pedindo ajuda para que não façam nada com com as minhas filhas e nem contra mim.


Iuri Pitta: Roberta, acho que você já deixou muito claro todos os sentimentos que você tinha e tem pelo presidente. Em relação ao Fábio Luís Lula da Silva, o teu sentimento com relação a ele, que você já falou várias vezes que ele é seu melhor amigo, você é a melhor amiga dele. Hoje, qual o teu sentimento com relação a ele? A mulher dele te protegeu. E ele?


Roberta Luchsinger: A partir do momento que o pai dele me chama de pilantra e me culpa por “N” coisas, que não sou eu falando, tem o vídeo, ele que foi lá falar. E ele [Lulinha] não se manifesta, não se pronuncia, ele é um covarde como o pai, porque o papel do amigo é ligar e falar a verdade. “Olha, pai, ela não é uma pilantra. A polícia tá investigando, se ela fez alguma coisa errada, se eu fiz alguma coisa errada, isso daí vai ser provado, a polícia está aí pra investigar” . A partir do momento que ele [Lulinha] se cala, ele não foi meu amigo, eu fui amiga dele, eu sou a vítima nessa história toda. Eles são cúmplices, eu sou a vítima. Eu não tive uma pessoa me ligando pra saber se minha filha estava viva ou morta. Eu não tive uma pessoa vindo aqui estender a mão pra saber se eu estava precisando de ajuda, todo mundo sabendo que eu estou com bens bloqueados, dinheiro bloqueado etc. Eu sou amiga das pessoas, porque se algum amigo meu está passando por dificuldade, como é o caso do Marcola, eu sou a primeira a oferecer ajuda. Eu não tive isso.  Débora Bergamasco: Roberta, quero te agradecer imensamente pela entrevista, por nos receber aqui no seu apartamento em São Paulo. Obrigada pela entrevista.


Iuri Pitta: Obrigada, Roberta.


Roberta é investigada em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado de Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência. As apurações buscam esclarecer se houve atuação para favorecer empresas ou interesses privados junto a órgãos federais. Entre os assuntos mencionados no contexto das investigações estão a relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a atuação relacionada à regulamentação de produtos à base de canabidiol, contatos com integrantes do governo e possíveis intermediações envolvendo interesses empresariais.


Durante a entrevista, a lobista afirmou que deseja colaborar com a Justiça e que não pretende omitir informações em razão da posição política ou institucional de qualquer pessoa mencionada. Segundo ela, há acontecimentos que poderiam ser esclarecidos por meio de conversas presenciais, encontros e informações que não necessariamente aparecem nas mensagens de WhatsApp já examinadas pelos investigadores.


“Eu quero fazer uma delação premiada”, declarou.


Roberta afirmou que, caso as autoridades considerem pertinente a abertura de uma negociação, está disposta a fornecer informações adicionais e responder às perguntas dos investigadores. Ao mesmo tempo, sustentou que não reconhece a prática de crimes em sua própria atuação e que pretende apresentar sua versão dos acontecimentos no âmbito judicial.


A empresária também afirmou que já buscou oportunidades para prestar esclarecimentos às autoridades e que está submetida a determinações judiciais que limitam o que pode divulgar publicamente sobre o conteúdo das investigações. Segundo ela, parte dos elementos relacionados aos casos está protegida por sigilo, o que a impede de detalhar determinadas circunstâncias durante entrevistas.


A disposição para colaborar, no entanto, não significa que um acordo tenha sido formalizado. A eventual delação premiada depende de negociação com as autoridades competentes, do cumprimento dos requisitos legais e da avaliação da relevância das informações oferecidas.


A amizade com Lulinha e a proximidade com o círculo presidencial

Roberta afirma que sua amizade com Fábio Luís Lula da Silva começou antes de Lula assumir a Presidência da República. Segundo a empresária, a relação com o filho do presidente não era profissional nem societária, mas envolvia convivência pessoal frequente, viagens, encontros sociais, comemorações e contato com pessoas próximas ao governo.


A lobista relatou que ela e Lulinha frequentavam os mesmos ambientes em Brasília e mantinham uma relação de proximidade que se estendia a viagens e encontros familiares. Durante a entrevista, disse que os dois estiveram juntos em diversas ocasiões, inclusive em períodos festivos, e que ele frequentava a mesma residência em que ela estava hospedada.


Roberta também afirmou que Lulinha permaneceu próximo dela durante o período em que ela desenvolvia atividades relacionadas a assuntos de saúde e à regulamentação do canabidiol. Segundo seu relato, o filho do presidente demonstrava interesse pelo tema e esteve presente em diferentes situações em que o assunto era discutido.


A empresária negou, porém, ser sócia de Lulinha ou manter com ele uma parceria profissional. Disse que a proximidade pessoal entre ambos acabou sendo interpretada publicamente como sinal de uma relação comercial, o que contestou durante a entrevista.


Ao explicar a natureza da amizade, Roberta afirmou que a convivência entre os dois era conhecida por pessoas de seus círculos sociais. Segundo ela, Lulinha participava de encontros, viagens e atividades em ambientes frequentados por integrantes do governo e empresários.


A empresária também declarou que ajudou no processo de mudança de Lulinha do Brasil para a Espanha, embora tenha negado ter financiado a transferência. Segundo seu relato, a participação envolveu disponibilizar tempo, procurar escola, buscar apartamento e auxiliar em questões práticas relacionadas à mudança.


Roberta afirmou que chegou a alugar um apartamento em Madri, mas sustentou que isso fazia parte de um projeto pessoal de viver fora do Brasil. Segundo ela, a possibilidade de morar na Suíça também estava relacionada a vínculos familiares e aos planos de estudo de uma de suas filhas.


A lobista negou que seus planos de residir no exterior tivessem como objetivo escapar das investigações. Afirmou que permaneceu no Brasil durante o andamento dos procedimentos judiciais e que cumpriu as determinações impostas pelas autoridades.


Investigada em três inquéritos no STF

As investigações que envolvem Roberta e Lulinha procuram esclarecer se relações pessoais, contatos empresariais e interlocuções com integrantes do governo foram utilizados para favorecer interesses privados perante órgãos federais.


A suspeita de tráfico de influência está relacionada à possibilidade de alguém utilizar relações ou influência sobre agentes públicos para obter vantagens ou facilitar decisões de interesse particular. A caracterização de eventual crime depende da análise dos fatos, das circunstâncias e das provas reunidas.


No caso de Roberta, os assuntos discutidos publicamente incluem sua atuação como lobista, os serviços que afirma ter prestado a clientes do setor de saúde, sua relação com Antônio Camilo Antunes e os contatos que relata ter mantido com integrantes da administração federal.


A empresária afirmou que sua atividade profissional esteve historicamente concentrada na área da saúde e que trabalhava no setor havia mais de dez anos. Também declarou que não possui contratos públicos em seu nome e que sua vida financeira foi examinada pelas autoridades.


Segundo Roberta, os investigadores tiveram acesso a seu celular, às conversas de WhatsApp e a informações protegidas por sigilo. Ela afirmou que os dados estão disponíveis para análise e que pretende continuar colaborando com as solicitações judiciais.


A lobista também contestou a divulgação de trechos de conversas e informações relacionadas aos procedimentos. Em sua avaliação, a publicação de mensagens isoladas pode produzir interpretações que não correspondem ao contexto integral dos diálogos.


A empresária disse que pretende esclarecer judicialmente os acontecimentos e que não deseja substituir os procedimentos formais por acusações públicas. Apesar disso, declarou que decidiu conceder a entrevista porque considera necessário apresentar sua versão diante das críticas que passou a receber.


Lulinha teria se reunido com ministros, segundo Roberta

Um dos principais pontos da entrevista foi a afirmação de Roberta de que presenciou Lulinha em encontros com ministros do governo federal em diversas ocasiões.


Questionada pela jornalista Débora Bergamasco se havia visto o filho do presidente sentado com ministros, a empresária respondeu afirmativamente e declarou que isso teria acontecido inúmeras vezes.


“O filho dele sentava semanalmente com ministro, seja para trocar figurinhas, seja para trocar qualquer outro tipo de diálogo”, afirmou.


Segundo Roberta, os encontros ocorreram durante o período em que ela mantinha convivência próxima com Lulinha, inclusive em Brasília. A empresária disse que ele frequentava os mesmos ambientes e acompanhava atividades relacionadas a assuntos políticos e administrativos.


Ela também mencionou uma viagem de Lulinha à residência do então ministro Camilo Santana, no Ceará. Roberta, contudo, não detalhou o conteúdo das conversas que teriam ocorrido durante os encontros e afirmou que não poderia explicar assuntos sobre os quais não tinha conhecimento direto.


Ao ser questionada se Lulinha havia discutido com ministros, na presença dela, a venda de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, a empresária respondeu que não presenciou esse tipo de conversa.


Roberta afirmou que o filho do presidente demonstrava interesse pelo canabidiol e que acompanhava parte das atividades relacionadas ao tema. Segundo ela, Lulinha esteve presente em ambientes nos quais o assunto era discutido, mas isso não significa que tenha participado diretamente de negociações específicas com autoridades.


A empresária também mencionou que recebia ministros e outros integrantes do governo em sua residência em Brasília. Segundo seu relato, alguns a procuravam para conversar, pedir ajuda, obter aconselhamento ou buscar apoio para encaminhar demandas administrativas.


Entre os nomes mencionados na entrevista estavam pessoas ligadas às áreas de Educação, Saúde e Comunicação. Roberta afirmou que procurava compreender o funcionamento de órgãos como a Anvisa e o Ministério da Saúde, especialmente no que se referia às normas para produtos à base de canabidiol.


Ela declarou que alguns integrantes do governo enfrentavam dificuldades para conseguir agendas ou dar andamento a determinados projetos e recorriam a pessoas próximas ao gabinete presidencial para tentar facilitar o contato.


Segundo a lobista, esses pedidos poderiam envolver a obtenção de uma reunião, o encaminhamento de uma demanda ou a busca de prioridade para um projeto considerado importante por determinado ministério.


Roberta negou que recebesse benefícios em troca dessas intervenções. Afirmou que agia por amizade ou por acreditar na importância das pautas discutidas e que não tinha contratos públicos relacionados a essa atuação.


A natureza dos contatos, a existência de eventuais interesses privados e a possível relação entre as interlocuções e decisões administrativas são questões que precisam ser examinadas pelas autoridades.


A relação com o empresário conhecido como “Careca do INSS”

Um dos eixos das apurações envolve a relação entre Roberta e Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além da apresentação do empresário a Lulinha.


Durante a entrevista, Roberta reconheceu que apresentou os dois, mas afirmou que o encontro ocorreu em caráter social, sem que ela tivesse a intenção de intermediar negócios ou obter vantagens junto ao governo federal.


Segundo a lobista, Antônio Camilo era seu cliente e atuava no setor de saúde e farmacêutico. Lulinha, por sua vez, era seu amigo. Ela afirmou que os dois se conheceram por intermédio dela, trocaram contatos e passaram a manter uma relação cuja evolução, segundo declarou, não acompanhou integralmente.


“Eu apresentei ele ao Fábio Luiz, vulgo Lulinha, em caráter social”, disse.


Roberta sustentou que não participou de eventuais negócios realizados entre os dois depois da apresentação. Segundo ela, o serviço que prestou a Antônio Camilo estava relacionado à regulamentação de produtos farmacêuticos, e não à intermediação de contratos públicos.


A empresária também afirmou que não conheceu o cliente inicialmente pelo apelido associado às investigações previdenciárias, mas como Antônio Camilo, empresário do setor de saúde.


Segundo Roberta, ela tomou conhecimento das suspeitas envolvendo o empresário por meio da imprensa. Afirmou que rompeu o contrato com ele depois que as notícias vieram a público e que não tinha conhecimento prévio das irregularidades que passaram a ser investigadas.


A relação entre Roberta, Antônio Camilo e Lulinha é relevante para as apurações porque os investigadores procuram esclarecer se houve alguma intermediação de interesses privados junto a órgãos públicos e se os contatos pessoais tiveram conexão com negócios ou decisões administrativas.


A empresária negou ter atuado como operadora de um esquema de irregularidades no INSS e afirmou que seu trabalho para Antônio Camilo tinha outro objeto.


A atuação relacionada à regulamentação do canabidiol

A regulamentação do canabidiol foi um dos temas mais discutidos durante a entrevista. Roberta afirmou que prestou serviços a Antônio Camilo relacionados à revisão de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de alterar regras que, segundo ela, dificultavam a comercialização de produtos à base da substância no Brasil.


A empresária explicou que seu trabalho envolvia a busca por uma readequação das normas regulatórias e uma reestruturação dos procedimentos aplicáveis ao setor farmacêutico.


Segundo ela, as regras existentes eram excessivamente restritivas e faziam com que determinadas formas de acesso ao canabidiol dependessem de medidas judiciais. Roberta afirmou que pretendia contribuir para mudanças regulatórias que ampliassem a efetividade do sistema de saúde.


Ela negou que seu serviço tivesse como objetivo viabilizar uma venda de canabidiol diretamente ao Ministério da Saúde. Segundo a lobista, a atuação se concentrava na revisão de normas da Anvisa, e não na negociação de um contrato de fornecimento para a pasta.


Questionada sobre a participação de Lulinha nesse trabalho, Roberta afirmou que nunca discutiu com ele as normas da agência reguladora. Disse, porém, que o filho do presidente demonstrava interesse pelo assunto e que esteve presente em diferentes ocasiões durante o período em que ela tratava da questão.


A empresária também mencionou que Lulinha teria visitado fábricas relacionadas ao setor. Ela afirmou não saber se ele participou de negociações específicas com integrantes do governo ou se tratou diretamente de negócios com Antônio Camilo.


Durante a entrevista, os jornalistas perguntaram se a aproximação entre o empresário e Lulinha poderia ter facilitado o encaminhamento de pedidos perante órgãos públicos. Roberta respondeu que essa questão deveria ser esclarecida diretamente com os envolvidos, pois seu trabalho, segundo ela, foi prestado a Antônio Camilo.


A lobista afirmou que não tinha como explicar eventuais tratativas comerciais que possam ter ocorrido entre o cliente e Lulinha depois da apresentação. Disse que as informações disponíveis no inquérito deveriam ser analisadas pelas autoridades.


A investigação busca esclarecer se houve alguma relação entre os contatos, a atuação profissional de Roberta e possíveis interesses empresariais relacionados à regulamentação do setor de saúde.


A mensagem sobre o “filho do rapaz”

Outro ponto abordado pelos jornalistas foi uma mensagem atribuída a Antônio Camilo na qual aparece a expressão “filho do rapaz”.


Questionada sobre o significado da referência, Roberta afirmou que a mensagem não havia sido enviada diretamente a ela e que não poderia identificar com segurança a pessoa mencionada.


Segundo a empresária, tratava-se de uma conversa entre Antônio Camilo e outro interlocutor. Ela sustentou que o conteúdo deveria ser interpretado a partir do diálogo completo, e não por meio de trechos isolados.


Roberta afirmou que não seria correto apresentar uma conclusão sem conhecer integralmente o contexto da conversa. Também disse que caberia à Polícia Federal esclarecer o significado da expressão e identificar a pessoa a que o empresário se referia.


A questão integra o conjunto de informações cuja interpretação depende da análise dos investigadores, especialmente para determinar se a mensagem tem relação com os fatos apurados nos inquéritos envolvendo a lobista e Lulinha.


A possível interlocução envolvendo a Mota-Engil

A entrevista também abordou uma possível intermediação envolvendo a construtora Mota-Engil e relações entre pessoas próximas a Lulinha.


Questionada pela CNN Brasil se tinha conhecimento de uma história segundo a qual o filho do presidente teria ajudado a aproximar uma empresa de integrantes do governo para a obtenção de contratos, Roberta respondeu que conhecia o assunto, mas afirmou não participar diretamente das negociações.


Durante a conversa, ela mencionou Amauri Pinha, a quem identificou como presidente da empresa no Brasil e vizinho de Lulinha no país.


Segundo Roberta, Amauri já esteve em sua residência em Brasília e participou de encontros com o filho do presidente. Ela afirmou que os dois chegaram a realizar reuniões enquanto ela estava no mesmo ambiente, embora não participasse diretamente das conversas.


Questionada se os encontros tinham caráter comercial, a empresária disse não conhecer o conteúdo das reuniões. Afirmou que não poderia declarar quais assuntos foram tratados quando não estava envolvida nas conversas.


Roberta também mencionou contratos bilionários associados à empresa no Brasil e afirmou que as relações entre empresários e pessoas próximas ao governo deveriam ser examinadas pelas autoridades.


A lobista, porém, fez uma ressalva: declarou que não tinha informações privilegiadas sobre os contratos e que não poderia afirmar que houve irregularidades. Segundo ela, sua posição era a de que as circunstâncias deveriam ser esclarecidas, inclusive por meio da análise de agendas e registros de entrada em órgãos públicos.


A empresária questionou por que, em sua avaliação, determinadas relações eram pouco exploradas enquanto suas próprias atividades eram submetidas a um exame amplo. Ela defendeu que os investigadores verificassem as relações entre os envolvidos e apurassem a existência de eventuais contatos com órgãos federais.


Roberta afirmou que não sabia se as reuniões mencionadas envolviam contratos públicos, negociações empresariais ou outros assuntos. Disse apenas que tinha conhecimento de encontros entre pessoas próximas a Lulinha e que não poderia detalhar conversas das quais não participou.


Assim, as declarações apresentadas na entrevista não estabelecem que tenha ocorrido irregularidade nos contratos da empresa. A existência de contratos públicos e de relações pessoais entre empresários e pessoas próximas ao poder não comprova, por si só, a prática de tráfico de influência.


Os contatos com ministros e a busca por agendas no governo

Além dos encontros que afirma ter presenciado entre Lulinha e ministros, Roberta relatou que ela própria era procurada por integrantes do governo para tratar de assuntos administrativos e pessoais.


Segundo a empresária, alguns ministros e assessores pediam ajuda para conseguir agendas com integrantes da estrutura presidencial, principalmente quando enfrentavam dificuldades para encaminhar projetos ou obter reuniões.


Roberta afirmou que pessoas próximas ao governo recorriam a ela e a outros interlocutores porque mantinham relações de amizade ou proximidade com integrantes do gabinete presidencial.


A lobista também relatou pedidos de natureza pessoal. Disse que uma assessora teria solicitado hospedagem em sua residência durante a realização de uma cirurgia e que outras pessoas a procuraram para pedir ajuda com despesas ou para conversar sobre projetos.


Ao ser questionada sobre os favores, Roberta afirmou que nem todos estavam relacionados ao exercício de funções públicas. Segundo ela, algumas solicitações eram feitas no contexto de relações pessoais e amizades.


A empresária reconheceu que poderia haver uma linha tênue entre amizade e atividade profissional, mas negou ter recebido contrapartidas por ajudar integrantes do governo.


Durante a entrevista, os jornalistas questionaram se os pedidos de ajuda para obter reuniões ou prioridade em projetos poderiam estar relacionados aos pagamentos e auxílios financeiros mencionados no inquérito.


Roberta respondeu que não via, em sua avaliação, uma relação de troca e afirmou que não possuía contratos públicos. Disse que ajudava porque acreditava nos projetos e porque mantinha relações pessoais com as pessoas envolvidas.


A eventual relevância criminal dessas relações depende da apuração das circunstâncias, da existência de contrapartidas e dos elementos que possam demonstrar se houve utilização indevida de influência ou favorecimento.


Pagamentos, boletos, presentes e a relação com Marcola

Outro trecho da entrevista tratou de pagamentos e ajudas financeiras mencionados no contexto das investigações envolvendo Roberta e um ex-integrante da estrutura presidencial identificado por ela como Marcola.


Os jornalistas perguntaram sobre pagamentos de boletos, presentes e outras formas de auxílio financeiro, além das circunstâncias em que valores teriam sido transferidos ou devolvidos.


Roberta afirmou que parte dessas informações já está nos autos e que não poderia detalhar todos os elementos em razão do sigilo judicial e das medidas cautelares que precisa cumprir.


Segundo a empresária, os pagamentos e as ajudas mencionados estavam relacionados a uma relação pessoal. Ela negou que os recursos tivessem sido oferecidos como contrapartida por intermediações ou pela obtenção de benefícios junto ao governo.


A lobista declarou que, em sua avaliação, ajudar um amigo que enfrenta dificuldades financeiras não constitui necessariamente um crime. Ressaltou, porém, que cabe às autoridades avaliar as circunstâncias e determinar se houve alguma irregularidade.


Questionada sobre o que ganhava ao ajudar ministros ou outros integrantes do governo a obter reuniões e encaminhar projetos, Roberta afirmou que não recebia nada em troca.


Ela sustentou que sua atuação era motivada por amizade e pelo interesse em determinadas políticas públicas. Também afirmou que não possuía contratos públicos e que sua atividade profissional não dependia da obtenção de vantagens em contratos governamentais.


Os jornalistas apontaram que a análise não se limita à existência de contratos públicos em nome da empresária, mas envolve também a relação entre os pedidos de ajuda, os pagamentos e o acesso a pessoas que ocupavam posições relevantes na estrutura presidencial.


Roberta negou ter praticado qualquer troca de favores e afirmou que todas as informações financeiras e as conversas relevantes estão disponíveis para análise das autoridades.


A investigação deverá esclarecer a natureza dos pagamentos mencionados, a finalidade dos recursos e se houve alguma relação entre as ajudas financeiras e a atuação da empresária junto a integrantes do governo.


A relação com Lula e as críticas públicas do presidente

Um dos motivos apresentados por Roberta para conceder a entrevista foi a reação às declarações públicas de Lula a respeito dela e das investigações envolvendo seu filho.


Em agosto, ao ser questionado em entrevista à TV Globo sobre as suspeitas relacionadas a Lulinha e sobre informações obtidas após a apreensão do celular da empresária, o presidente afirmou: “O que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone?”.


Roberta disse que se sentiu exposta e julgada publicamente antes da conclusão das investigações. Segundo ela, as declarações do presidente agravaram as ameaças que afirma receber e prejudicaram sua reputação profissional.


A empresária declarou que decidiu falar publicamente porque considera necessário apresentar sua versão dos fatos e defender a segurança de suas duas filhas.


“Eu não sou pilantra. Eu sou uma mulher sozinha com duas filhas”, afirmou.


Segundo Roberta, o presidente a colocou em uma posição de exposição pública que facilitou ataques e hostilidades. Ela declarou que as críticas contribuíram para que pessoas passassem a ameaçá-la e a direcionar mensagens ofensivas à família.


A lobista também afirmou que perdeu clientes com os quais mantinha relações comerciais havia mais de dez anos. Segundo ela, a repercussão das acusações e as declarações públicas do presidente afetaram sua capacidade de continuar trabalhando.


Roberta sustentou que a investigação deveria seguir seu curso sem que os envolvidos fossem previamente classificados como culpados. Também criticou o que considera uma diferença de tratamento entre ela e Lulinha, argumentando que todos os citados deveriam ser ouvidos e ter suas relações examinadas de acordo com os mesmos critérios.


A empresária afirmou que sua proximidade com o filho do presidente era conhecida e que não considerava justo ser responsabilizada publicamente por fatos que, segundo ela, precisam ser esclarecidos pela Polícia Federal.


Ameaças de morte e intimidações contra as filhas

Durante a entrevista, Roberta relatou que recebe ameaças de morte e que suas duas filhas também teriam sido alvo de mensagens violentas nas redes sociais.


Segundo a empresária, ela recebe dezenas de ameaças por dia. Afirmou que as mensagens incluem referências a agressões físicas e que as redes sociais das filhas foram invadidas por pessoas que enviaram mensagens com ameaças de violência sexual e física.


Roberta declarou que os episódios foram comunicados aos advogados e encaminhados às autoridades responsáveis. Disse ainda que decidiu tornar as ameaças públicas para registrar sua preocupação com a segurança da família.


A empresária afirmou que suas filhas passaram a sofrer bullying depois que ela foi alvo das declarações do presidente e de críticas públicas relacionadas às investigações.


Segundo Roberta, o impacto da exposição não se restringe à sua vida profissional, mas também afeta a rotina familiar e a segurança das crianças.


A lobista declarou que considera necessário proteger as filhas e que não pretende permanecer em silêncio diante das ameaças. Também afirmou que qualquer acontecimento grave envolvendo a família deveria ser examinado considerando os episódios que relata.


As ameaças descritas são alegações apresentadas pela empresária. A identificação dos autores, a verificação das mensagens e a eventual responsabilização dependem da apuração pelas autoridades competentes.


Roberta diz ter sido alvo de buscas e bloqueios patrimoniais

Nos últimos meses, Roberta foi alvo de mandados de busca e apreensão, teve bens e valores bloqueados e passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, no âmbito da Operação Sem Desconto.


A empresária afirmou que as medidas judiciais alteraram sua rotina e afetaram sua capacidade de trabalhar e cuidar da família. Segundo ela, o bloqueio de recursos e as restrições de deslocamento tiveram consequências sobre sua vida pessoal.


Roberta declarou que permanece no Brasil e que vem cumprindo as determinações impostas pelas autoridades. Também afirmou que não tentou fugir das investigações e que pretende continuar apresentando os esclarecimentos solicitados.


Durante a entrevista, disse que considera sua vida financeira e suas comunicações amplamente disponíveis para os investigadores. Afirmou que o conteúdo de seu celular, as conversas de WhatsApp e os dados financeiros podem ser utilizados para esclarecer os fatos.


A empresária também contestou a divulgação de informações extraídas de seus dispositivos, argumentando que a publicação de trechos isolados pode retirar as mensagens do contexto em que foram produzidas.


As medidas cautelares impostas a uma pessoa investigada não equivalem, por si só, a uma condenação. A avaliação sobre eventual responsabilidade criminal depende da análise das provas e das decisões judiciais pertinentes.


A mudança de Lulinha para a Espanha e os detalhes que Roberta diz conhecer

A entrevista também abordou a participação de Roberta na mudança de Lulinha do Brasil para a Espanha.


Questionada sobre o assunto, a empresária afirmou que participou da organização da mudança, ajudando a procurar escola, apartamento e a resolver questões práticas. Negou, entretanto, ter financiado a transferência.


Roberta explicou que sua participação ocorreu no contexto da amizade com Lulinha e que chegou a alugar um apartamento em Madri por motivos pessoais.


Segundo ela, havia planos de viver no exterior, relacionados a vínculos familiares com a Suíça e ao interesse de uma de suas filhas em estudar naquele país.


A lobista afirmou que essas circunstâncias foram interpretadas publicamente como se representassem uma tentativa de deixar o Brasil para escapar das investigações. Ela negou essa interpretação e declarou que permaneceu no país mesmo depois da imposição das medidas cautelares.


Questionada sobre a existência de informações adicionais relacionadas à vida de Lulinha na Espanha, Roberta afirmou que poderia apresentar elementos às autoridades, mas não detalhou o conteúdo durante a entrevista.


Segundo ela, eventuais esclarecimentos deveriam ser feitos no âmbito judicial, em respeito às restrições impostas aos procedimentos investigativos.


A empresária também reiterou que não pretende omitir informações caso seja formalmente chamada a colaborar com as autoridades.


Assista os principais trechos da Entrevista de Roberta Luchsinger na CNN Brasil













A trajetória de Roberta Luchsinger: origem em Minas Gerais, atuação empresarial e candidatura pelo PT

Roberta Luchsinger tem 41 anos, é empresária e lobista brasileira e nasceu em Miraí, município localizado em Minas Gerais. Ela é ex-companheira do ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.


Sua trajetória profissional, segundo os relatos apresentados na entrevista, está ligada principalmente ao setor da saúde, com atuação relacionada a empresas, regulamentação farmacêutica e interlocução com pessoas envolvidas em políticas públicas.


A empresária também teve participação na política partidária. Em 2018, concorreu a uma vaga de deputada estadual por São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, mas não foi eleita.


Relatos de pessoas ligadas ao PT situam sua aproximação com o partido e com Lulinha a partir de 2017, período em que Lula enfrentava processos relacionados à Operação Lava Jato.


Roberta, por sua vez, afirma que sua amizade com Lulinha antecede o período em que o pai dele se tornou presidente. Segundo a empresária, a relação era pessoal e envolvia convivência frequente, viagens e encontros sociais.


A proximidade com o filho do presidente e os contatos com pessoas ligadas ao governo passaram a ocupar lugar central no debate sobre sua atuação depois que informações relacionadas ao celular apreendido pela Polícia Federal vieram a público.


Roberta contesta a interpretação de que sua amizade com Lulinha demonstraria, por si só, participação em negócios ou irregularidades. Afirma que as relações pessoais devem ser diferenciadas de eventuais atividades profissionais e que cada suspeita precisa ser examinada com base em provas.


O que Roberta afirma saber sobre as relações entre empresários e o governo

Ao longo da entrevista, a empresária defendeu que as investigações não se concentrem apenas em sua atuação e que as autoridades examinem as relações entre empresários, pessoas próximas a Lulinha e integrantes da administração federal.


Ela citou os encontros que afirma ter presenciado em Brasília, as reuniões realizadas em sua residência e a presença de empresários em ambientes frequentados pelo filho do presidente.


Roberta também afirmou que algumas pessoas a procuravam para pedir ajuda com agendas, projetos e assuntos pessoais. Segundo ela, os contatos ocorriam em um ambiente de relações pessoais e institucionais que, em sua avaliação, precisa ser compreendido em sua totalidade.


A lobista negou ter recebido vantagens por essas interlocuções e afirmou que não possuía contratos públicos em seu nome. Também disse não ter informações privilegiadas sobre os contratos empresariais mencionados na entrevista.


Em relação à Mota-Engil, declarou conhecer a história envolvendo pessoas próximas a Lulinha, mas afirmou não saber quais assuntos foram tratados em reuniões privadas. Sobre o caso do canabidiol, negou ter discutido as normas da Anvisa com o filho do presidente e disse não ter presenciado conversas dele com ministros sobre uma venda ao Ministério da Saúde.


No caso de Antônio Camilo, reconheceu ter apresentado o empresário a Lulinha, mas sustentou que a apresentação foi social e que seu trabalho profissional estava relacionado à regulamentação do setor farmacêutico.


Essas distinções são relevantes para a apuração porque as autoridades precisam determinar o que cada pessoa efetivamente fez, quais informações possuía e se houve alguma conexão entre relações pessoais, serviços profissionais e interesses perante órgãos públicos.


Delação premiada: o que poderia ser acrescentado às investigações

Roberta afirmou que sua eventual colaboração poderia incluir informações que não estão registradas em seu celular. Segundo ela, as conversas presenciais e os acontecimentos que testemunhou poderiam fornecer elementos adicionais para a compreensão das relações investigadas.


A empresária declarou que está disposta a explicar fatos e apresentar informações às autoridades, inclusive sobre pessoas que ocupam posições relevantes na política ou na administração pública.


“Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém”, afirmou.


Roberta também declarou que pretende responder a todas as questões que forem apresentadas pelas autoridades e que não deseja se limitar à divulgação pública de informações. Segundo ela, uma colaboração premiada deve ocorrer no âmbito judicial, e não por meio de declarações antecipadas à imprensa sobre o conteúdo que seria apresentado aos investigadores.


A empresária afirmou que não cabe a ela determinar quais informações são suficientes para justificar um acordo ou se os fatos que conhece configuram crimes. Essa avaliação, segundo seu relato, deve ser feita pelas autoridades responsáveis.


Para que uma delação premiada seja formalizada, é necessário que haja negociação com os órgãos competentes, cumprimento dos requisitos previstos em lei e apresentação de informações que possam contribuir efetivamente para a investigação. Os relatos também precisam ser avaliados e, quando possível, confrontados com documentos e outras provas.


A eventual colaboração não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade de outras pessoas mencionadas. O conteúdo apresentado precisará ser verificado, e qualquer responsabilização criminal dependerá do conjunto probatório e das decisões judiciais.


As investigações continuam

As declarações de Roberta Luchsinger colocam em evidência diferentes linhas de apuração relacionadas a suas relações pessoais e profissionais, à proximidade com Lulinha, aos contatos com integrantes do governo e à atuação de empresários em setores que dependem de decisões regulatórias ou administrativas.


Entre os principais assuntos estão a apresentação de Antônio Camilo Antunes a Lulinha, o trabalho relacionado à regulamentação do canabidiol, os encontros com ministros que a empresária afirma ter presenciado, os pagamentos e auxílios financeiros mencionados no contexto do caso e a possível interlocução envolvendo a Mota-Engil.


A lobista nega ter cometido crimes e afirma estar disposta a colaborar com as autoridades. Também sustenta que as relações pessoais descritas na entrevista não devem ser interpretadas automaticamente como prova de participação em irregularidades.


A eventual delação premiada poderá representar uma nova etapa caso seja formalmente negociada e aceita pelas autoridades. Até lá, as informações apresentadas por Roberta permanecem como declarações que precisam ser examinadas em conjunto com os demais elementos das investigações.


Os três inquéritos no STF buscam esclarecer as suspeitas envolvendo a empresária e Lulinha. A apuração deverá determinar se houve utilização indevida de influência, favorecimento de interesses privados ou outras condutas ilícitas, distinguindo as relações pessoais e profissionais de eventuais atos que possam ter relevância criminal.


Até a conclusão dos procedimentos e a eventual prolação de decisões judiciais definitivas, as suspeitas permanecem sob investigação, e a responsabilidade de cada envolvido deverá ser estabelecida com base nas provas reunidas pelas autoridades competentes.

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