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George Soros, presidente do Soros Fund Management, concede uma entrevista à CNN quanto à Iniciativa Global de Clintons, em Nova York, em 27 de setembro de 2015 (foto de arquivo)George Soros 'se rende' na luta teimosa contra Rússia, aceitado a realidade que já perdeu


George Soros acabou por ser um "dos raros russófobos de alto nível" que são capazes de reconhecer seus erros, escreve Ivan Danilov, jornalista e autor do blog Crimson Alter, em seu artigo especial para nós. 

A questão é que o oligarca estadunidense, conhecido por ter "quebrado" o Banco da Inglaterra, predisse a falência da Rússia para 2017, mas não deu.
"Entre os especialistas midiáticos e políticos, para quem os prognósticos negativos sobre a Rússia são quase uma obrigação profissional, é comum adiar simplesmente a data do colapso para algum prazo mais distante. Soros, devemos elogiar aqui o nosso oponente resoluto, põe em prática uma antiga regra bolsista: quando mudam os fatos, é preciso mudar de opinião", assinala Danilov.
Em uma entrevista à edição britânica Financial Times, o financista mudou inesperadamente sua postura em relação à Rússia, usando o exemplo dela para enfatizar como a União Europeia está passando mal. De uma maneira agressiva, própria dele, Soros afirmou que a "UE é uma organização que está à beira do colapso", enquanto a Rússia é "uma potência em renascimento, baseada no nacionalismo".

Por mais estranho que pareça, sublinha o colunista, na entrevista não há nem uma palavra sobre a gravidade crescente da situação interna na Rússia. De fato, o oligarca tenta interpretar o papel de um "lutador pela liberdade", alegadamente enfrentado pessoalmente por Putin, porém, com tais declarações ele de fato apenas aumenta a imagem positiva do presidente russo, pois não se atreve atacá-lo, ao contrário do que faz aos políticos europeus, como Angela Merkel.

Deste modo, Soros, de fato, se queixa da mesma coisa, apenas transferindo o enfoque para a ameaça que a Rússia como "potência renascente" representa para a União Europeia. "É de assinalar que tanto Soros quanto a Casa Branca, na verdade, culpam a Rússia pela mesma coisa: por ter alterado a ordem mundial, cuja principal caraterística era a 'morte da Rússia' amplamente reconhecida e o fato de privá-la de seu anterior status de potência", escreve Danilov.
Segundo as declarações do próprio Soros, ressalta o autor, ele acredita sinceramente que o "renascimento" da Rússia se deve ao seu "nacionalismo".

"Como mostra a prática, do ponto de vista do financista e ativista político estadunidense, qualquer político que não queira desempenhar o papel de fantoche nas mãos dele automaticamente se torna um nacionalista e um perigoso radical, que em caso algum pode ser aceito na 'sociedade decente'. Se traduzirmos sua declaração de 'língua de Soros' para linguagem normal, podemos dizer: Soros está se queixando de que a Rússia renasce graças ao patriotismo, e isto o assusta francamente", argumenta o jornalista.

Porém, é possível detectar a razão para pânico do oligarca norte-americano, ressalta Danilov: basta olhar para seus antigos prognósticos em relação à Rússia.

"Em vez de ficar na bancarrota ou colapsar, ela [a Rússia] está bem estável e o próprio fato da sua existência é um exemplo de como se pode defender os interesses nacionais apesar de todos os esforços de Washington", continuou.
Ademais, o autor sublinha que, após a vitória de Macron nas presidenciais francesas do ano passado, muitos cientistas políticos começaram a falar da "morte do populismo europeu" e até da "derrota do euroceticismo pró-russo".
"Soros afirma que é precisamente a União Europeia que está à beira do colapso, e suspeito que o oligarca estadunidense esteja mais perto da verdade", resumiu Danilov.

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