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De olho nas eleições 2018: Dória faz mudanças no 1º escalão e promete reduzir viagens



Com diagnóstico de que precisa melhorar a imagem entre os paulistanos, de olho em 2018, o prefeito João Dória (PSDB) afirmou que vai reduzir o ritmo de viagens pelo Brasil e que deve “focar na periferia” nos próximos meses. Paralelamente, ele anunciou ontem a maior mudança em sua equipe para manter o apoio da base aliada, especialmente dentro de seu partido. Com isso, ainda pretende resolver atritos internos que estariam dificultando ações da Prefeitura, especialmente na zeladoria urbana, que tem sido motivo de reclamações.

O vice-prefeito, Bruno Covas (PSDB), saiu do comandado da Secretaria das Prefeituras Regionais, responsável pela zeladoria urbana. Ele vai cuidar da articulação política em uma nova pasta, a Casa Civil. A negociação envolveu ceder a Covas o poder de nomear cargos no governo a pedido de vereadores, além de liberar emendas parlamentares. Dentro da base aliada na Câmara, os antigos encarregados da negociação no Executivo, Júlio Semeghini e Milton Flávio, vinham sendo criticados por não cumprirem acordos firmados com vereadores.
Ao fazer a mudança, Dória buscou transmitir a ideia de que fortalecia Covas, que nos bastidores já é chamado de “o prefeito mais jovem da cidade” (ele tem 37 anos), dada a possibilidade de assumir a Prefeitura a partir de abril, quando vence o prazo para Dória deixar a Prefeitura caso se candidate na eleição.
O anúncio, cercado de elogios de Dória a Covas, foi feito diante de militantes tucanos. Desde a semana passada, quando o braço direito do vice-prefeito, Fábio Lepique, foi demitido por Dória, uma ofensiva de aliados da dupla tomou os grupos de WhatsApp do partido – havia até um coração, similar ao logotipo do programa Cidade Linda, de Dória, com a sigla BC (Bruno Covas). Ontem, militantes gritaram: “Um, dois, três, é Covas outra vez”, em uma manifestação de apoio ao vice.
“Bruno e eu temos uma relação de igualdade. Que não haja dúvidas aos jornalistas, aos militantes, aos secretários. Ele foi eleito comigo, com o mesmo número de votos e a mesma confiança depositada por 3 milhões de brasileiros”, disse Dória.
Zeladoria. No lugar de Covas, Dória colocou no comando das Regionais seu aliado Cláudio Carvalho, ex-executivo da Cyrela, que já vinha trabalhando em um sistema de gerenciamento de ações de zeladoria a pedido do prefeito. Dória espera, com isso, reduzir queixas sobre limpeza pública e buracos nas vias. A ideia é reduzir o tempo de espera para atendimento das reclamações feitas por cidadãos. A troca acontece sem perspectivas de mudanças nos chefes de cada regional. “O que haverá é avaliação de desempenho de cada regional”, afirmou Dória.
A chegada de Carvalho ocorre às vésperas do início do programa de recapeamento de avenidas, que deve ser concluído ainda no primeiro semestre de 2018. São 70 vias – só quatro na região central – que devem ter o asfalto reformado. Isso resolveria uma das principais reclamações dos paulistanos, segundo diagnóstico que a equipe de Dória recebe das redes sociais. O programa deve receber R$ 350 milhões e será feito junto das ações de tapa-buracos.
Ainda para evitar atritos partidários, Dória manteve Semeghini na pasta de Governo, mas sem atribuições ligadas à Câmara. O secretário, indicado à Prefeitura pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), ficará encarregado de articular ações entre secretarias, como o programa Recomeço, na Cracolândia. Milton Flávio, outra indicação de Alckmin, também vai trabalhar na Secretaria de Governo.
Mais mudanças na equipe são esperadas para abril, quando ele deve deixar o cargo para concorrer à Presidência, vice ou ao governo paulista. Dória trava disputa interna com Alckmin dentro do PSDB para ser candidato ao Planalto. Numa eventual saída da Prefeitura, secretários mais próximos de Dória também entregariam os cargos.

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