Um grupo de neurocientistas da Universidade do Texas, em Austin (EUA), descobriram uma maneira de traduzir as varreduras da atividade cerebral em palavras usando a mesma tecnologia de IA (inteligência artificial) que alimenta o ChatGPT, plataforma da OpenAI.
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O que você precisa saber:
Neurocientistas da Universidade do Texas, em Austin (EUA), descobriram uma maneira de traduzir as varreduras da atividade cerebral em palavras;
Para isso, eles usaram a mesma tecnologia de IA que alimenta o ChatGPT, o GPT-1;
Essa descoberta pode revolucionar a forma como as pessoas que perderam a capacidade de falar podem se comunicar;
No momento, pesquisadores dizem que essa tecnologia não poderia ser usada para extrair confissões nem expor nossos segredos profundos de pessoas.
A descoberta pode revolucionar a forma como as pessoas que perderam a capacidade de falar podem se comunicar. É apenas uma aplicação pioneira de IA desenvolvida nos últimos meses, à medida que a tecnologia continua avançando e parece destinada a tocar cada parte do cotidiano e da sociedade.
Nova tecnologia com ChatGPT
Um modelo de inteligência artificial analisou seu cérebro e o áudio que ele ouvia e, com o tempo, conseguiu prever as palavras que ouvia apenas observando seu cérebro.
Os pesquisadores usaram o primeiro modelo de linguagem da startup OpenAI, o GPT-1, que foi desenvolvido com um enorme banco de dados de livros e sites. Ao analisar todos esses dados, o modelo aprendeu como as sentenças são construídas – essencialmente como os humanos falam e pensam.
Como a tecnologia foi feita
Os pesquisadores treinaram a IA para analisar a atividade do cérebro de Huth e de outros voluntários enquanto ouviam palavras específicas. Eventualmente, a IA aprendeu o suficiente para prever o que Huth e outros estavam ouvindo ou assistindo apenas monitorando sua atividade cerebral.
Embora a tecnologia ainda esteja em sua infância e mostre um grande potencial, as limitações podem ser uma fonte de alívio para alguns. Isso porque a IA não pode ler facilmente mentes de seres humanos. Ainda.
O verdadeiro potencial de aplicação disso está em ajudar pessoas que não conseguem se comunicar.
Alexander Huth, professor assistente de neurociência e ciência da computação na Universidade do Texas, em entrevista à CNN
Importância (e polêmicas)
Huth e outros pesquisadores da universidade acreditam que a tecnologia inovadora pode ser usada no futuro por pessoas com síndrome de “aprisionamento”, vítimas de derrame e outras pessoas cujos cérebros funcionam, mas são incapazes de falar.
A nossa [pesquisa] é a primeira demonstração de que podemos obter esse nível de precisão sem cirurgia no cérebro. Portanto, pensamos que este é o primeiro passo nesta estrada para realmente ajudar as pessoas que não conseguem falar sem que precisem de uma neurocirurgia.
Alexander Huth, professor assistente de neurociência e ciência da computação na Universidade do Texas, em entrevista à CNN
Embora os avanços médicos revolucionários sejam, sem dúvida, boas notícias e possam mudar a vida de pacientes que lutam com doenças debilitantes, também levantam questões sobre como a tecnologia pode ser aplicada em ambientes controversos.
Afinal, ela poderia ser usada para extrair uma confissão de um prisioneiro? Expor nossos segredos mais profundos e obscuros? A resposta curta, dizem Huth e seus colegas, é não. Não no momento.
Tradução: BDN


