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Ex-diretor do Banco Mundial diz que Cenário sugere quadro de estagflação para 2022


O anúncio do recuo de 0,1% do PIB do terceiro trimestre de 2021 e as expectativas sobre 2022 criam uma situação que, para o economista Carlos Braga, ex-diretor do Banco Mundial e professor da Fundação Dom Cabral, sugere um cenário de “estagflação” da economia brasileira.


“Há insegurança jurídica sobre o debate de PEC dos Precatórios, lei de responsabilidade e teto fiscal. Tudo isso começa também a pressionar os juros – o instrumento que o Banco Central tem é o aumento da Selic, que hoje está em 7,75% e o mercado aposta que vai chegar em 9,25%”, afirmou.


“Ao mesmo tempo que essas medidas abrem espaço fiscal, elas criam pressões em termos do custo da dívida. Temos que continuar a prestar atenção às pressões inflacionárias – um instrumento é taxa de juros, mas isso cria um ambiente provável de estagflação”.


Para Carlos Braga, as medidas que estão sendo tomadas a fim de possibilitar, no discurso oficial, o financiamento de programas como o Auxílio Brasil, geram consequências a longo prazo difíceis de avaliar.


“Isso começa a ter efeito sobre o custo do carregamento de dívida, cria um espaço, no curto prazo, para medidas que atendem às necessidades sociais, mas estamos criando um coquetel que requer medidas anti-inflacionárias, senão vamos retornar ao mundo pré-Plano Real”, declarou.


Quarto trimestre não será beneficiado pelo mercado externo

No primeiro trimestre do ano, o PIB — que represente a soma de todas as riquezas do país –, cresceu 1,2%. No período seguinte, teve queda de 0,4%, segundo revisão divulgada pelo instituto. Anteriormente, a queda registrada de abril a junho era de 0,1%.


O principal impacto no resultado veio da queda de 8% na agropecuária, ressalta o IBGE, e também pelo recuo de 9,8% nas exportações de bens e serviços. Já a indústria — que corresponde a 20% do PIB — ficou estável. Os serviços, por outro lado, registraram alta de 1,1% no período. O setor responde por mais de 70% do PIB nacional.


Para o quarto trimestre, há ainda o “efeito China”, disse Carlos Braga, citando as suspensões implementadas pelo país a importações de carne bovina do Brasil.


“As exportações bovinas do Brasil pra China caíram 49% em novembro. Isso não está no terceiro trimestre, vai aparecer no quarto. Há fatores fora do nosso controle, mas se parceiros econômicos tomam essas decisões, isso não vai ajudar. O quarto trimestre também não vai ser muito favorecido pela situação do comercio internacional”, disse o economista.


Incertezas da saúde e “PIB anêmico”

Outra fonte de incertezas para a economia é a situação da saúde pública global, especialmente após a chegada da nova variante do coronavírus, a Ômicron, ao cenário pandêmico.


No cenário mais positivo, os altos níveis de vacinação no Brasil irão das conta de frear os impactos da Ômicron num possível recrudescimento da Covid-19 no país, opinou Braga.


No entanto, isso não significa um cenário mais otimista para 2022 – ao menos se o governo não transmitir mensagens deste gênero.


“Se essa mensagem vem com medidas que afetam a segurança jurídica, como o calote para a PEC dos Precatórios, isso tem um custo, e esse custo vamos começar a pagar em 2022”, declarou.


As estimativas apontam para um 2022 sem necessariamente com uma “inflação”, ponderou, mas com um crescimento na ordem de 0,58%, o que o ex-diretor do Banco Mundial define como “um número muito inferior àquilo que o governo gostaria de ter”.


“Não dá para negar a realidade dos números do IBGE. Nesse momento, eles sugerem recessão técnica. Muito provavelmente, teremos aumento de consumo no primeiro e segundo trimestre, o que vai criar um esforço positivo do lado da demanda, e com isso números melhores”, disse.


O cenário para os terceiros e quartos trimestres, no entanto, já podem ser afetados pelas incertezas do momento atual.


“Por outro lado, não espero que a inflação se abata de forma dramática. Vamos continuar com um crescimento anêmico e inflação elevada para o período pós-Plano Real”, opinou Carlos Braga.

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