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Em Sexto Discurso na Tv sobre Covid-19, Jair Bolsonaro diz que é hora de união, mas criticou governadores e prefeitos que estão estendendo quarentena


O presidente Jair Bolsonaro tentou passar à noite a imagem de autoridade, associada a uma mensagem de união e equilíbrio em novo pronunciamento transmitido em rede nacional de rádio e televisão sobre a pandemia do coronavírus.


Aconselhado por ministros e aliados, manteve o tom moderado da manifestação anterior, mas renovou as críticas aos governadores e prefeitos, ressaltando que o governo federal não foi consultado sobre as medidas de isolamento social que levaram ao fechamento do comércio.
Foi o quinto pronunciamento presidencial desde o dia 6 de março, com o agravamento da crise sanitária e econômica. Ontem, Bolsonaro sondou auxiliares sobre voltar à televisão para se dirigir aos brasileiros, com o anúncio da adoção ampliada da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. Ele foi aconselhado a adotar uma postura a favor do diálogo e do equilíbrio e a exortar a pacificação nacional.
A preocupação nos bastidores era tentar desfazer com essa aparição a imagem de que Bolsonaro está isolado e alijado do comando da crise, sob a tutela do ministro-chefe da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto.

Veja o discurso em texto na íntegra:

Boa noite,

Vivemos um momento ímpar em nossa história. Ser presidente da República é olhar o todo, e não apenas as partes. Não restam dúvidas de que nosso objetivo principal sempre foi salvar vidas.

Gostaria, antes de mais nada, de me solidarizar com as famílias que perderam seus sentes queridos nessa guerra que estamos enfrentando.

Tenho a responsabilidade de decidir sobre as questões do País de forma ampla, usando a equipe de ministros que escolhi para conduzir os destinos da nação. Todos devem estar sintonizados comigo.

Sempre afirmei que tínhamos dois problemas a resolver: o vírus e o desemprego, que deveriam ser tratados simultaneamente.

Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O Governo Federal não foi consultado sobre sua amplitude ou duração.

Espero que brevemente saiamos juntos e mais fortes, para que possamos melhor desenvolver o nosso país.

Como afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, cada país tem suas particularidades. Ou seja, a solução não é a mesma para todos.

Os mais humildes não podem deixar de se locomover para buscar o seu pão de cada dia.

As consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença.

O desemprego também leva à pobreza, à fome, à miséria, enfim, à própria morte.

Com esse espírito, instruí meus ministros. Após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado de outros países, passei a divulgar nos últimos 40 dias a possibilidade do tratamento da doença desde sua fase inicial.

Há pouco conversei com o doutor Roberto Kalil. Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o Juramento de Hipócrates ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina, bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos.

Disse-me mais. Que, mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, ministrou o medicamento agora para não se arrepender no futuro. Essa decisão poderá entrar para a história como tendo salvo milhares de vidas no Brasil. Nossos parabéns para o doutor Kalil.

Temos mais boas notícias. Fruto de minha conversa direta com o primeiro-ministro da Índia, receberemos até sábado matéria-prima para continuar produzindo a hidroxicloroquina, de modo a podermos tratar pacientes da covid-19, bem como malária, lúpus e artrite.

Agradeço ao primeiro-ministro Narendra Modi e ao povo indiano por essa ajuda tão oportuna ao povo brasileiro.

A partir de amanhã, começaremos a pagar os R$ 600 de auxílio emergencial para apoiar trabalhadores informais, desempregados e microempreendedores durante três meses. Concedemos também a isenção do pagamento da conta da energia elétrica aos beneficiários da tarifa social por três meses, atendendo a nove milhões de famílias que tenham suas contas de até R$ 150.

Disponibilizamos R$ 60 bilhões via Caixa Econômica Federal para capital de giro destinados a micro, pequenas e médias empresas, e à construção civil.

Os beneficiários do Bolsa Família, que são quase 60 milhões de pessoas, também receberão abono complementar do auxílio emergencial

Autorizamos ainda para junho um saque de até R$ 1.045 aos que têm conta vinculada ao FGTS.

Repatriamos mais de 11 mil brasileiros que estavam no exterior, num esforço capitaneado pelo Itamaraty, Ministério da Defesa e Embratur.

Tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros quer voltar a trabalhar. Esta sempre foi minha orientação a todos os ministros, observadas as normas do Ministério da Saúde.

Quando deixar a presidência, pretendo passar ao meu sucessor um Brasil muito melhor do que aquele que encontrei em janeiro do ano passado.

Sigamos João 8:32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Desejo a todos uma Sexta-Feira Santa de reflexão e um feliz Domingo de Páscoa.

Deus abençoe o nosso Brasil.

Encerrou o Presidente. 

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